10 de março de 2022

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Análise dos episódios de The Boys Diabolical: uma animação violenta e cansativa

7 min read

A Amazon Prime Video lançou a animação “The Boys Diabolical”, que conta com spin-offs da série de streaming, que por sua vez é uma adaptação dos quadrinhos de mesmo nome. Mas a animação é boa ou não?

A resposta é: mais ou menos. De forma simples eles conseguem retratar várias facetas da humanidade, mas de forma mais gore, como preconceitos, dependências químicas, divórcio, assédios e tantas outras situações.

Vendo por esse lado, ela consegue demonstrar muito bem isso, mas a violência colocada acaba deixando tudo em segundo plano. Parece que demonstrar a violência extrema é mais importante do que abordar certos temas, deixando a série cansativa e repetitiva.

Cada episódio foi produzido de uma maneira particular, com designs e roteiros únicos, como uma antologia, ou seja, seus episódios não estão conectados entre si. Apenas o último episódio é que realmente faz parte do cânone, sendo o mais interessante, por trazer ainda mais expectativa para a terceira temporada, que será lançada no dia 03 de junho.

Episódios

Cada episódio tem 15 minutos de produção, porém quase três minutos de créditos finais, algo que sempre causa certo incômodo.

01: O Passeio do Bebê Laser.

Esse episódio é um dos que mais chama atenção. Por ser numa pegada dos antigos desenhos do Looney Tunes, sendo fofo e com uma narrativa simples, ele acaba encantando e dando vontade de continuar assistindo a série por completo.

Nesse capítulo vemos um cientista que está avaliando as capacidades de um bebê com poderes, mas durante 20 dias ele acaba vendo que ela não tem potencial para se tornar um herói no futuro. Quando ele entrega o relatório para os seus chefes, descobre que a criança será eliminada e assim ele toma a decisão de tirá-la do prédio e fugir para poder cuidar dela como sua filha.

Mas a animação fofa acaba mostrando o lado mais gore, fazendo com que o bebê, sem nenhuma consciência seus atos, acabe matando os perseguidores. Uma série onde a matança começa e vai até o último segundo.

Nota: 8,5

02: Um Curta Animado Onde Alguns Super Zangados Matam Seus Pais.

O nome do título já deixa bem explicado o que acontece no episódio. Bem, realmente acontece tudo dessa forma, mas acaba sendo um episódio que poderia ser melhor explorado, abordando o assunto de abandono de crianças por simples ego, algo que acontece com frequência nos dias de hoje.

Mas o importante é a violência gratuita que a série traz, algo que deixa o assunto em questão totalmente de lado, infelizmente. O episódio é macabro e caótico do começo ao fim, mas agora em um design que lembra a animação de Rick & Morty.

Nota: 6,0

03: Eu Sou Seu Traficante.

Agora temos um episódio mais interessante, algo que lembra bem os quadrinhos e que faz referências a série. Vemos Billy Bruto, um personagem já conhecido pelos fãs, junto de um traficante, armando uma boa para “os super”. Ele acaba descobrindo que a grande maioria dos heróis tem vícios químicos e um deles acaba entrando no alvo de Bruto.

Alterando uma fórmula especial da droga única para esse herói, ele faz com que ele fique alucinado e com uma adrenalina no máximo. Quando o herói foi se apresentar para o Hall da Fama, ele acaba enlouquecendo e se matando na frente de milhares de pessoas.

Sabemos que Billy Bruto é um personagem que vive em busca de vingança contra “os super” e não vai deixar de usar quaisquer meios para completar a sua missão. Mas, o episódio conseguiu trazer um assunto muito interessante, que é a dependência química, vemos que até mesmo aqueles que são idolatrados como deuses tem seus problemas pessoais, algo que também visto na série, mas nesse episódio fica mais explicito.

Esse episódio poderia ser facilmente canônico.

Nota: 9,0

04: Boyd do 3D.

Um dos poucos episódios que foca em um tema real e que acontece nos dias atuais. Hoje temos muitos jovens que ficam horas nas mídias sociais e as usam como um parâmetro para medir sua popularidade, até mesmo usando como uma base de rotina para o seu dia a dia, deixando outras pessoas decidirem suas rotinas.

Nesse episódio temos dois jovens infelizes com seu físico e sua vida monótona. Boyd, um jovem rapaz decide ir até a Vought para poder mudar isso e com uma solução mágica, ele consegue mudar seu visual o deixando como ele gostaria de ser: um homem alto, sarado e bonito, sem defeitos para somente conquistar sua vizinha.

Ela por sua vez acaba usando esse produto chamado “Invision” e se torna uma felina com calda, bigode e orelhas, como uma gata doméstica, mas o seu intuito era ficar mais sexy e selvagem. Juntos eles acabam chamando muita atenção e atingindo aquilo que eles realmente sonhavam, popularidade.

Como vocês podem ver, é mais um episódio que foca em um tema interessante, dessa vez conseguindo levar isso até o final, e o mais importante, sem violência gratuita, o que deixa mais agradável de assistir. O único momento que vemos essa violência é no segundo final quando Boyd vai até a Vought pedir ajuda por causa do produto que acabou sendo usado de forma endivida, explodindo a cabeça do jovem.

Nota: 9,0

05: Melhores Amigas.

Aqui a série se perde de vez, com um episódio chato e sem sentido nenhum. Vemos uma garota que acaba achando por acidente um vidro do “Composto V” e toma para poder ganhar poderes, mas acaba recebendo o dom de controlar o cocô, dando forma e vida para eles.

Em formato de “Anime”, ele até que é bem bonito, graficamente falando, mas não agrega em nada para a série, sendo um episódio solto em meio a algo maior. Sem dúvidas o pior episódio.

Nota: 3,0

06: Núbio vs Núbia.

Outro episódio que poderia ser mais, mas que acaba não entregando muito. A ideia é interessante e que poderia ser melhor abordada, mas novamente eles preferem usar a violência para explicar algo que ficaria claro com um bom diálogo.

Um casal de heróis acaba tendo uma filha, mas em meio ao seu casamento, brigas se tornam frequentes. Com o divórcio eminente, sua filha busca ajuda com um amigo de seus pais, para que eles possam voltar a ser quem eles eram, felizes, lutando juntos.

Claro que a ideia acaba saindo um tanto errado. Realmente o casal volta a ficar junto e feliz, mas acabam mostrando para a filha o lado feio de uma relação de forma mais explicita, fazendo com que ela entregue para os pais os papéis do divórcio e dizendo que será melhor assim, mas ela acaba se tornando igual aos pais nesse momento, exigindo de forma grossa, mandona e sem escrúpulos.

Um tema que poderia ser melhor abordado, já que a influência dos pais é a primeira e principal fonte para as crianças. Um belo tapa na cara de muitos pais.

Nota: 7,0

07: John e Sun-hee.

Um casal de idosos está passando por um momento difícil, sua esposa está com câncer e tem apenas mais dois dias de vida. Sabendo disso, ele que trabalha como zelador na Vought acaba roubando Composto V para dar a sua amada, mas um efeito colateral acaba agindo.

O câncer sai dela e vira um monstro que consome tudo que é vivo ao redor dele, se alimentando para poder crescer. Ela acaba lutando contra ele para poder salvar todos e corrigir o erro de seu marido, que vive em culpa pelo que fez.

O episódio é legal e interessante, mas é mais um que recorreu ao caminho de resolveu ir pelo caminho da violência sem medidas para contar sua história.

Nota: 5,0

08: Um Mais Um Igual a Dois.

E enfim chegamos ao último episódio, esse que se torna canônico e que dá base para a terceira temporada de The Boys. A trama  se passa quando o Capitão Pátria se apresenta para ser um dos Sete, mas é ofuscado por Black Noir, que naquele momento era o herói número 1.

Durante uma missão simples, Capitão Pátria estava se saindo super bem, prendendo os criminosos e dialogando com eles para que tudo se resolva sem violência, mas as coisas saem do controle quando, sem querer, ele explode a arma de um dos bandidos matando um dos reféns e decepando a mão de outro. Nesse momento as suas lembranças do passado, quando era abusado pelos cientistas, ficavam aparecendo em sua mente, fazendo com que ele perdesse o controle e matasse todos ali. Black Noir acaba mostrando o real caminho para o Capitão e agora ele tem uma nova visão de como ser um herói, algo que vemos na série de live-action.

Esse episódio é muito bom pelo fato de mostrar um pouco do inicio do Capitão Pátria, mostrando que na realidade ele não era mal, na verdade tentava ser bom, mas por causa de um pequeno erro acabou se tornando esse genocida super poderoso.

Nota: 9,0

Conclusão

Ao todo, a série é bem fraca e de mal gosto na sua maior parte, mas consegue entreter e agregar com algumas coisas boas, como os assuntos de problemas sociais, que deveriam e mereciam ser melhor desenvolvidos. Bem que Erick Kripke, responsável da série, avisou que a série seria brutal e insana.

Nota: 6,0 no geral.

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