3 de setembro de 2022

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Análise | Os Anéis de Poder entrega dois episódios dignos da obra de Tolkien

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Nessa última quinta (01), estreou a tão aguardada série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, onde se foi apostado alto para trazer de volta o universo de Tolkien, a Terra-Média as telas de seus espectadores. Mas, será que deu certo essa difícil missão em trazer uma das franquias que tem uma das bases de fãs mais críticas da cultura pop? Bem, vamos analisar o que foi proposto e dar o veredito em cima dos dois primeiros episódios lançados até então.

A trama retrata os eventos durante a 2ª Era da Terra-Média, ambientando um cenário diferente de milhares de anos antes dos filmes de Peter Jackson. Baseada nos livros “O Silmarillion” e “Contos Inacabados” (recomendo fortemente a leitura de ambos), nos leva a um momento crucial que vai mudar o roteiro e o destino que se assola nas terras dos povos livres que ali habitam.

Vale ressaltar que, mesmo sendo uma obra adaptada dos livros, anotações e documentos de Tolkien, Os Anéis de Poder traz uma trama inédita, enriquecendo ainda mais esse vasto universo tão bem formulado pelas mãos do autor. Também a uma questão que deve ser ponderada afinal, essa nova produção não é apenas para os fãs da obra, mas sim para um novo público, uma nova remessa de futuros fãs que possam ter o estalo que faltava para emergir e se aprofundar no que se trata sobre a Terra-Média, buscando mais conhecimento e uma paixão por literatura fantástica.

Análise

Podemos dizer que esse é o momento mais épico para um fã de Tolkien, algo que nos estávamos esperando por muitos anos, algo que ficou na promessa e que nos deixou tenso por tanto tempo, que quando os trailer, sinopse, elenco, trilha sonora, fotografia e o perfil de alguns personagens nos deixava eufóricos e amedrontados, pois, mesmo vendo a riqueza dos detalhes apresentados, muitos ainda torciam os narizes por causa de certas mudanças gritantes comparada com a obra original, algo que muitos fãs abominam, não aceitam em hipótese alguma em ser mudado, mesmo que seja para melhor.

O 1º episódio foi mais introdutório, dando uma narrativa de como tudo começou e a que ponto chegamos, apresentando alguns personagens principais e ao mesmo tempo presenteando os fãs. Já o segundo a trama começou a se desvencilhar, trazendo outros personagens que serão tão importante quanto aqueles já apresentados e também o inicio da batalha que está por vir.

Um destaque sobre toda essa introdução. A origem de como a guerra entre os elfos e Morgoth, foi bem resumida, sem dar tantos detalhes, apenas o suficiente para que todos entendam como todo essa guerra se deu origem. Exemplo são as próprias Árvores de Valinor (Telperion, a prateada e Laurelin, a dourada), na série é dita que um mal chamado Morgoth veio a Valinor e destruiu a luz de seu lar, assim, os elfos decidiram combate-lo, o seguindo até a Terra-Média, e por fim, após séculos de batalhas, o fim da guerra havia chegado.

Mas esse é o resumo do resumo, que acaba ocultando todo o resto por trás desse momento da história, algo que ao meu ver, foi muito bem explorado, afinal, a série também não pode perder tempo, seu foco é a era em que eles vivem, e os eventos que se seguem nesse período, o que faz total sentido.

Personagens

Galadriel.

Galadriel é a protagonista da série, onde ela se vê em uma vingança e uma busca pelo mal que habita a Terra-Média após milhares de anos em guerra, mas enfim a paz chegou, pelo menos para todos os outros habitantes, apenas para ela, é que realmente Sauron e seus servos ainda estão por ai, tramando e vigiando o momento certo de atacar esse momento pacifico.

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Ela realmente se destaca e muito por ser a principal perseguidora de toda a trama que se vem a se desenrolar, mas o que a atriz Morfydd Clark está nos mostrando em tela é supreendentemente incrível, dando um ar de uma nova Galadriel, fugindo da sombra que Cate Blanchett tinha colocado quando interpretou a mesma personagem a 20 anos atrás na trilogia de Peter Jackson. Além disso, a direção está conduzindo muito bem ela para trazer para nós uma nova versão, mais destemida e forte do que aquela que vimos nos filmes. Vale ressaltar que sofreu diversos ataques por conta de sua personagem ser mais guerreira, fugindo um pouco da obra original, mas que aparentemente tudo ficou no passado.

Elrond.

Elrond foi um dos personagens que também gerou muitas polêmicas, por causa de sua sinopse como político dentro do reinado dos elfos, fez com muitos ficassem enlouquecidos por não se tratar do que se sabe sobre o mesmo, mas, pelo que vimos, isso é porque ele esta vivendo em tempo de paz, sendo assim, seu lado guerreiro não vem a ser necessário no momento, dando total sentido e entendimento do porque ele se trata assim. Também é entendido, que ele sempre preferiu o diálogo do que a guerra.

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O personagem está sendo muito bem dirigido, é outro que também está fugindo da sombra de seu antecessor no papel, e convenhamos, está indo super bem, mostrando que na realidade é totalmente capacitado para interpreta-lo. Seu destaque dessa primeira demanda de episódios, é o vínculo entre ele e Durin IV, o príncipe anão de Khaza Dûn, um dos grandes reinos anões da Terra-Média.

E falando em Durin, não tínhamos como não deixar de falar desse anão que já mostrou para o que veio, trazendo a velha teimosia e dureza dos anões. O destaque é o momento que ele enfrenta Elrond em um ritual de quebrar pedra, mas ainda sim, é apenas o prelúdio para os eventos futuros.

Também vale destacar que essa amizade entre Elrond e Durin que irá unir os anões e Celebrimbor, que trarão grandes frutos para as futuras modernizações da Terra-Média.

Durin e Disa.

Nesse mesmo arco, temos a princesa e esposa Disa de Durin, que era uma incógnita para todos, muitos estavam criticando também, e devo confessar que estava com o nariz um tanto torcido para essa personagem, mas que incrivelmente, na sua primeira aparição já me quebrou e me fez amar ela. Espero ver cada vez mais ela na série.

Gil-Galad também foi um destaque agradável, apesar de pouco aparecer, as vezes que deu o ar deu grandiosidade, mostrou seu poder entre seu povo e que realmente é o Alto Rei dos Elfos na Terra-Média.

Nori e Poppy.

Mais um grande destaque são os pés-peludos, que são os antepassados dos hobbit. Vemos eles de forma simples e humilde, vivendo sua vida como se não existisse nada além de suas fronteiras, mas tudo muda quando uma bola de fogo cai próximos a eles. Outro ponto que devo confessar que não estava com expectativa, apesar de fazerem parte da Terra-Média, é uma raça que pouco agrega quando se trata de um momento na história que vale a sobrevivência dos povos livres. Mas, entendo o porque de eles estarem ali, afinal, como eu disse, eles fazem parte dessas terras, não faria sentido eles não aparecerem, mesmo que fosse apenas para ser o gancho para outros arcos.

Eu curti o visual deles, o aspecto que deram para eles, algo mais rudimentar, mas mesmo assim, existindo um complexo mas simples meio de vida em meio as colinas e florestas, ainda sim, talvez seja a parte menos empolgante da obra até o momento.

Ainda não nos foi apresentado e muito sobre os humanos, apenas aqueles que vivem nas terras mais ao sul, onde em tempos passados eram aliados a Morgoth, e aparentemente está sendo o local de inicio para as forças do mal que tanto Galadriel insiste em falar. Mas o pouco que vimos, eles não aceitam muito bem os elfos, já que seus antepassados lutaram contra os orelhudos, sendo assim, são insistentemente observados por eles, para que não haja uma recaída para o lado do mal.

Arondi, Bronwyn e seu filho.

O elfo Arondir, que por conta de sua cor de pele foi altamente atacado por muitas pessoas, por muitos “fãs” (que para mim não são nem de perto fãs), alegando que não exista elfos negros na Terra-Média, mas, posso afirmar a seguinte situação. Por ele ser um elfo de origem silvestre, esses que não deram continuidade em migrar mais para o oeste, para Valinor, as terras imortais, eles acabaram ficando em meio as florestas, em meio as árvores, em meio a sombra das montanhas, ou seja, não tiveram o banhar das luzes das terras ensolaradas pela eterna primavera, dando talvez origem a um aspecto mais escuro a suas peles, não que isso tenha ocorrido com o todos os elfos dessa ramificação, mas que possa ter acontecido com alguns, e acho isso totalmente plausível dentre a evolução das espécies. No mais, o que eu quero dizer é que não faz nenhum sentido criticar esse aspecto da cor do personagem, mas sim, acho que é valido questionar a real importância dele, o real interesse para ele estar ali, e ao meu ver, é tão importante quanto qualquer outro, sendo um personagem único e inédito para a série, dando um arco a mais na história, que diga-se de passagem, está muito interessante.

Arondir é um elfo silvestre, esses mesmo que nunca saíram da Terra-Média rumo a Valinor. Ele é um soldado que cresceu nas agora submersas terras de Beleriand (terra essa que dava continuidade no território vasto da Terra-Média, mas afundou após a grande batalha no fim da 1ª Era) e passou quase um século vigiando os Homens das Terras do Sul, cujo os ancestrais se aliaram ao mal muito tempo atrás. Entretanto, a longa vigília se encerrou, sendo decretada pelo Alto Rei Gil-Galad, que a paz havia retornado, mas Arondir acabou se afeiçoando pelo povo, e principalmente à curandeira Bronwyn.

A partir dai, quando ele sai para ir até a casa de Bronwyn, para se declarar, ele juntamente dela, acabam descobrindo algo terrível, um mal que está espreitando as terras do sul, algo que pode mudar toda a movimentação de paz criada até o atual momento. É muito interessante ver esses dois personagens, já que se remete ao amor entre um humano e um elfo, algo já visto no passado, assim como mencionado durante o episódio.

Os romances entre essas duas raças mencionadas foram sobre Beren e Lúthien, um Homem e uma elfa e, Tuor e Idril, um homem e uma elfa novamente. Mais a frente, no futuro, mais especificamente na 3ª Era, tivemos outra união entre ambas as raças, Aragorn e Arwen, um Homem e uma Elfa. Agora, pela primeira vez temos o inverso, uma Mulher e um Elfo.

Sobre os personagens que farão o lado do mal da história, vimos muito pouco. Até o momento apenas vimos um único orc, que acabou atacando Bronwyn e seu filho, então ainda não temos muito a respeito, mas sabemos que as coisas começaram a se intensificar a partir dos próximos episódios.

E para finalizar o personagem enigmático que caiu como uma bola de fogo dos céus e que agora está aos cuidados de duas jovens pés-peludos. Pouco se sabe sobre ele, apenas que ele caiu na terra vindo das estrelas, mas que tem algo a revelar, só falta saber o que. Se especula-se que ele possa ser Gandalf, mas ainda não a certeza disso, basta esperarmos para ter certeza.

Cenários, figurinos e efeitos práticos

Valinor.

O cenário está magnifico, isso também porque a Nova Zelândia tem uma das topografias mais belas do planeta, ajudando e muito na construção dos cenários perfeitos, e claro, não poderia faltar um pouco de CGI, para ajudar na criação das cidades e efeitos, dando um ar ainda mais grandioso para a série, afinal, o valor gasto de 450 milhões de dólares tem que pelo menos ter valido apena e ser bem representado.

Tudo é muito bem feito, figurinos é outro ponto positivo, apesar de que as vezes, as armaduras parecem de tecido, ou algum material similar, para da o efeito de uma armadura de verdade, mas nada que pese muito na hora de mostrar ao público todo o esplendor.

Os efeitos práticos também ganham bastante destaque, exemplo, a grande piscina que eles usaram na cena do oceano para Galadriel e os outros personagens ali na cena, o efeito especial juntamente com o prático deu uma boa ideia da dimensão e do perigo eles enfrentavam naquela situação que se encontrassem.

Enfim, no geral, todos esses requisitos que muitas série atentam para não errar (e poucas conseguem acertar), faz com que a produção seja ainda mais espetacular.

O que vem por aí?

Contendo 8 episódios, muita coisa pode acontecer, mas já temos a certeza de que a história já está sendo contada, e muitos estão ansiosos pelos próximos movimentos. Agora que se passou a parte mais introdutória da série, veremos o andar da carruagem em meio a caminhos distintos, seguindo a viagem que esta dividida em arcos pontuais, como o da Galadriel, que está tentando achar o mal que assola o mundo, os dos pequenos pés-peludos, que estão com um visitante para lá de estranho, Elrond, Celebrimbor e sua amizade com os anões, que darão origem a algo maior, o romance entre uma mulher e um elfo, que acaba de se colocar em uma situação de risco, já que seus lares estão sendo a toca do grande mal. Enfim, como podem ver, muitos arcos, além de outros que surgiram conforme o decorrer da história.

Vale ressaltar que os dois primeiros episódios já estão disponíveis no Prime Video, contendo 67 minutos cada, e seu lançamento será semanal todas as sextas.

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