25 de novembro de 2021

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Casa Gucci tem tom confuso e não entrega o esperado

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Talvez a maior maldição de um filme possa ser a expectativa que o precede. Mesmo que isso soe como uma benção que instiga o espectador e o faz querer ir aos cinemas, esse mesmo desejo de assistir algo que se foi minimamente detalhado na imaginação pode ser uma frustração. E o fim do ano é o tempo dessas idealizações. Os longas-metragens mais esperados do ano levam milhões de pessoas com suas altas expectativas para as salas de cinema, com uma promessa de encantamento que nem sempre é cumprida.

Este é o caso de Casa Gucci, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (25). Dirigida por Ridley Scott (Todo o Dinheiro do Mundo, de 2017, e O Último Duelo, de 2021) e escrita por Becky Johnston  e Roberto Bentivegna, a produção traz uma história poderosa, tal qual o seu elenco, mas deixa o público sair das sessões com uma sensação de decepção. Mais uma vez, o famoso diretor do épico Gladiador traz para as telonas um filme com atores e atrizes que encantam o espectador, mas sozinhos, não são capazes de fazer o longa decolar.

Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Patrizia Reggiani, ex-mulher de Maurizio Gucci, membro da família fundadora da famosa marca italiana de mesmo nome. Passando por três décadas, a produção destrincha a paixão, a ganância e as traições, que culminaram no assassinato de Maurizio, em 1995, a mando de Patrizia.

Na busca pelo poder e dinheiro, o público pode observar cada jogada dos personagens que tentam sobreviver numa partida de xadrez luxuosa que terminará com a morte do rei. E neste quesito, os desempenhos do elenco são formidáveis. Lady Gaga (Nasce uma Estrela, de 2019) entrega outra performance de tirar o fôlego e mostra seu poder camaleônico como atriz. A sua força cênica, ao lado de Al Pacino (Era uma Vez em… Hollywood e O Irlandês, ambos de 2019), é um dos pilares que sustentam as longas 2h37 de filme. Pacino entrega uma de suas melhores atuações dos últimos anos com um personagem que, apesar de remeter aos papéis do passado de máfia italiana, traz consigo um sarcasmo e tom cômico impagável.

Adam Driver (História de um Casamento e Star Wars: A Ascensão Skywalker, ambos de 2019) é outro ponto indiscutível de bom desempenho. O ator americano traz outra performance com camadas surpreendentes. Ele seria a terceira força de sustentação dessa história. E aqui é preciso que algo fique claro: o roteiro do longa não é mal escrito, muito pelo contrário. A narração dos acontecimentos que levaram ao assassinato de Maurizio Gucci é bem construída e os momentos chaves são bem dispostos ao longo do filme. A questão sobre essa obra é o tom.

Outra vez em sua carreira, Scott entregou um filme confuso. A estranheza causada ao final da sessão vem de escolhas de tom que não se fazem claras. Em momentos, é possível entender que o longa se propõe a ser mais sério e sisudo, em outros, a narrativa parece uma alegoria satírica da trágica história de uma conhecida família. E é nessa corda bamba que se encaixa a atuação de Jared Leto (Liga da Justiça de Zack Snyder, de 2020, e Morbius, que estreia em 2022). O ator e cantor entrega daquelas atuações que o espectador ou ama ou odeia. É difícil levar a sério o seu personagem, uma vez que ele beira o ridículo. No entanto, quando olhado de fora, ele condiz com diversos momentos e tons do filme.

E, como apontado anteriormente, aí é que está a diferença entre o fracasso e sucesso de produções visadas: a expectativa. Criou-se um imaginário sobre o que poderia ser House of Gucci (título original). Em meio ao que foi idealizado pelo público e pela crítica, está a confusão estética comandada por Scott. Por isso, Leto não é facilmente compreendido e, por vezes, ultrapassa o limite do ridículo dentro da produção. Por essa razão o que era para ser cômico se torna caricatural. A falta de sutileza é o que estraga este filme.

Casa Gucci, ame-o ou deixe-o. Este poderia ser seu lema. Com grandes nomes de Hollywood – inclusive o de Salma Hayek (Jantar com Beatriz, de 2017, e Eternos, de 2021) e Jeremy Irons (Operação Red Sparrow, de 2018, e Liga da Justiça de Zack Snyder, de 2020), que também estão no longa e acabam flutuando nessa onda de estranheza -, a produção vive a maldição das altas expectativas com pequenos resultados. É possível que o longa ganhe indicações pontuais em eventuais premiações, como Figurino e Maquiagem, Melhor Atriz, com a Gaga, ou Melhor Ator Coadjuvante, com o Pacino, mas nada muito certo de se concretizar. Afinal, esse é o preço que se paga por muito floreio e pouca entrega.

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