19 de maio de 2022

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Crítica | Chamas da Vingança atualiza narrativa, mas não passa da superfície das discussões

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Chamas da Vingança (2022)

Desde o lançamento de It: A Coisa (2017), as obras do escritor Stephen King têm sido revisitadas pela indústria cinematográfica. Livros como Cemitério Maldito (2019) e a continuação de O Iluminado, Doutor Sono (2019), foram algumas das mais recentes adaptações do mestre do terror que chegaram às telonas. E, nesta quinta-feira (19), mais uma criação de King chegará aos cinemas brasileiros. O remake de Chamas da Vingança é uma das principais estreias da semana.

O longa-metragem, dirigido por Keith Thomas (The Vigil, de 2019), chega com a difícil missão de superar as expectativas dos fãs de King. A obra homônima do escritor americano é um de seus livros de maior sucesso graças a versão dos cinemas de 1984, eternizada pela presença de Drew Barrymore. A atriz foi responsável por marcar gerações ao dar vida a pequena Charlie, a garotinha com poderes pirocinéticos, que agora é interpretada por Ryan Kiera Armstrong (Viúva Negra e A Guerra do Amanhã, ambos de 2021). Este peso do passado está refletido na recepção não tão calorosa que vem internacionalmente desde a estreia de Chamas da Vingança nos Estados Unidos.

Charlie (Ryan Kiera Armstrong) enfrenta os dilemas de uma criança na escola. As dinâmicas sociais, valentões, bullying, dificuldade nos estudos, mas o que diferencia ela das outras crianças é que ele tem poderes que fogem do controle dela. A garota tem poderes pirocinéticos desde que nasceu e seus pais, Andy (Zac Efron) e Vicky (Sydney Lemmon), dividem opiniões sobre como criá-la com essa responsabilidade. Sem focar no entendimento de sua habilidade, Charlie gera episódios de descontrole do seu poder que chamam a atenção de uma agência secreta de estudos sobre poderes não-humanos decide caçar a menina para fazer dela um objeto de pesquisa. O que Charlie não sabe é que o passado de seus pais está diretamente ligado à agência e que só o controle dos seus poderes é capaz de salvar a vida dela e da família.

Chamas da Vingança (2022)

Terreno já conhecido pelos fãs do autor, o roteiro mescla elementos de fantasia e terror nesta trama de perseguição e poderes. O remake, apesar de ter como base uma obra aclamada, não teve o melhor proveito que poderia. É evidente que o roteirista Scott Teems (Halloween Kills: O Terror Continua, de 2021) atualizou a narrativa, trazendo algumas camadas sociais e políticas da atualidade, mas nenhuma delas foram aprofundadas. Talvez um dos maiores deslizes desta versão de Chamas da Vingança seja a sua falta de desenvolvimento do roteiro. O texto soa entrecortado, como se o espectador só fosse capaz de entender por completo o que está assistindo se houvesse lido a obra de King. É claro que a obra original importa, mas nenhuma adaptação pode ser refém de uma outra mídia, caso contrário ela se torna dependente e incompleta.

As lacunas da produção ficam ressoando no espectador após o final da sessão. Essa inconsistência do roteiro é algo que não tem como passar despercebida. No entanto, o maior problema da narrativa não é a sua rapidez para chegar no ápice do filme, mas é a sua trajetória.  A jornada apresentada ao público abre parênteses sobre diversas camadas narrativas, mas não é capaz de explorar e fechar nenhuma delas. Apesar da adaptação de 1984 ter questões também, ela ainda consegue ser mais concisa do que o novo Chamas da Vingança.

Além dos problemas do roteiro soarem como um quebra-cabeça incompleto, algumas atuações parecem estar fora de tom. É perceptível que o elenco não tem uma entrega equilibrada. Ao comparar as performances de Gloria Reuben (Lincoln, de 2012) e Kurtwood Smith (Hitchcock, de 2012, e Amityville: O Despertar, de 2017) com o restante do elenco, por exemplo, é notável a discrepância. E essa sensação não vem de um lugar onde a performance de Gloria ou Kurtwood foram ruins, mas não conversam com a do restante do elenco. É como se existissem dois tons num embate para dominar as cenas de Chamas da Vingança. O primeiro é um drama mais contido e dentro do padrão, que vem pela família McGee, Rainbird (Michael Greyeyes) e Irv Manders (John Beasley). O outro é essa intensidade de desvios de caráter e que vem com os personagens de Gloria e Kurtwood e os dilemas da ciência a qualquer custo.

A desconexão entre os tons do elenco também são sentidos pelo restante dos elementos vistos em cena. Existe uma áurea caótica que vai além dos acontecimentos do filme. A direção de Keith é dominada por escolhas inusitadas de ângulos e planos. Num primeiro momento, esse uso não convencional soa quase experimental para os padrões hollywoodianos. Com o decorrer do filme, no entanto, parece que o diretor perde a mão e Chamas da Vingança passa a ser uma atividade sem sentido de tipos de enquadramentos e ângulos de câmera. Esse conjunto de inconsistências e ausências do longa resultam na baixa bilheteria que a produção está acumulando pelo mundo.

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