7 de abril de 2022

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Crítica: Novo Animais Fantásticos reforça o quanto a Warner está perdida no projeto

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Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore

A indústria cinematográfica massiva produz centenas de blockbusters anualmente. Esta parcela do mercado vive as custas de narrativas que podem ser estendidas, expandidas e esticadas até o último fio. E é justamente por essa necessidade de sagas, multiversos e derivados que algumas produções se perdem. Há décadas isso é visto em franquias de terror, como Sexta- Feira 13 e A Hora do Pesadelo, mas, nos dias de hoje, nenhum gênero está de fora dessa possível derrocada. Foi assim que a Warner Bros. reforçou a suspeita do público e crítica de que ela não sabe onde quer chegar com a franquia Animais Fantásticos.

O estúdio terá o lançamento do terceiro capítulo da franquia nos cinemas mundiais na próxima quinta-feira (14). O longa-metragem é a prova de que a Warner não sabe qual caminho seguir. Tanto o estúdio como a própria autora do Mundo Bruxo, J.K. Rowling, parecem estar perdidos dentro de um universo rentável. Eles sabem que querem contar a história de como Newt e seus amigos ajudaram Alvo Dumbledore a derrotar Grindelwald. Eles também sabem que querem fazer isso ao longo de cinco filmes. Mas as certezas param por aí. Desde o início, o caminho narrativo se mostrou confuso. E, ao entrar na sessão de Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore, a sensação não é diferente.

O magizoologista, Newt Scamander (Eddie Redmayne), é convocado por Alvo Dumbledore (Jude Law) para um momento crucial na batalha contra Gellert Grindelwald (Mads Mikkelsen). A jornada para impedir os planos nefastos de tomada de poder do bruxo maligno envolvem Newt e seus companheiros em uma trajetória cheia de magia, perigos e descobertas. Em meio a eminente guerra entre o Mundo Bruxo e o Trouxa, os segredos sobre a família de Dumbledore são expostos, esclarecendo dúvidas antigas sobre a vida do renomado futuro diretor de Hogwarts.

Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore

Os problemas de Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore não estão na direção, no tom ou nas atuações, eles permeiam o roteiro. Os dois primeiros filmes desta trilogia foram escritos por Rowling. Apesar de errar constantemente como pessoa, a autora acertou em cheio em sua história sobre o garoto órfão da Rua dos Alfeneiros, nº4. Mas a indústria do entretenimento precisa entender que nem todos são multitalentosos. Não é porque J.K. sabe escrever bons livros que ela tem habilidade para escrever roteiros e o resultado está aí. Ela não conseguiu elaborar e nem desenvolver suas ideias como fez nos livros de Harry Potter.

Tendo entendido esse problema, a Warner convocou o roteirista de sete dos oito filmes da franquia HP para tentar salvar o barco afundando. Steve Kloves chegou para transpor as ideias da autora britânica para as telonas. É perceptível que existe algo de diferente neste filme. Em Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore vemos uma tentativa de fazer algo diferente dos anteriores, mas o resultado não foi bem esse. Kloves, apesar de conhecer o trabalho de J.K. e ter feito boas adaptações anteriormente, não foi capaz de lidar com a falta de foco da narrativa. Mais uma vez o espectador entrará na sessão e sairá do mesmo jeito. Aliás, o público sai com ainda mais dúvidas.

Apesar dos esforços do elenco, os tropeços do roteiro seguem aparentes. Não há boas cenas de Jude Law (Capitã Marvel e Um Dia Chuvoso em Nova York, ambos de 2019) que sejam suficientes para privar o espectador da lembrança dolorosa do que está acontecendo com os personagens. Ou melhor, do que não está acontecendo.  A maior questão de Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore é a falta de crescimento das personagens. O filme leva o público numa jornada cheia de informações, acontecimentos e firulas que, no final, aumentam em cerca de 5% a compreensão do todo.

Tanto Law como Mads Mikkelsen (Doutor Estranho, de 2016, e Druk – Mais uma Rodada, de 2020) se esforçam para entregar seu melhor e até mesmo brilham em alguns momentos, mas isso não é suficiente. Inclusive, a substituição de Johnny Depp (Assassinato no Expresso Oriente e Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar, ambos de 2017) por Mads nem é sentida. Graças a sua desenvoltura, parece que o ator dinamarquês sempre esteve no papel. E, da mesma forma que as atuações, toda a experiência de David Yates com os quatro últimos longas da franquia Harry Potter não foram suficientes para colocar o roteiro nos trilhos.

A volta da parceira entre Yates e Kloves traz, no entanto, memórias afetivas. Em Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore, existe um tom nostálgico em diversos momentos. Alguns enquadramentos e composições cênicas remetem o espectador aos filmes de Harry Potter. E, apesar da presença de Hogwarts ser maior no filme, vai além da existência da escola e das pequenas aparições de Hogsmeade. É uma espécie de fan service sutil que ultrapassa até mesmo o uso de samples da trilha sonora original de HP.

Seja a presença de Yates na direção ou de Kloves no roteiro, Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore pode ser melhor recebido pelos fãs fervorosos do que seus antecessores. No entanto, olhares um pouco mais atentos cobrarão mais. O que se espera desta franquia é que os planejamentos dos próximos dois longas tenham força suficiente para colocar a história nos trilhos, ao mesmo tempo que sejam coerentes com o que já foi apresentado. O que resta fazer é esperar e torcer pelo melhor. Como fã, é doloroso ver algo tão brilhante ruir por descuido, ego ou preguiça. A dúvida que resta é se as duas últimas cartadas serão suficientes para esconder os erros cometidos até então.

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