1 de março de 2022

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Crítica | Batman entrega suspense policial jamais visto antes

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The Batman

Batman é inebriante. Desde os minutos iniciais, existe uma atmosfera no ar que conquista o público. O vigilante de Gotham ressurge como o detetive de suas primeiras histórias em quadrinhos. Ele também vem com uma roupagem que bebe da participação do escritor Frank Miller na DC Comics, com o tom mais gótico, o jogo de sombras e essa atmosfera densa. Aqui, o justiceiro encapuzado aprende qual a jornada que ele deve tomar para se tornar o herói que o mundo conhece. Caminho esse que começa com vingança e termina com um futuro repleto de possibilidades.

Matt Reeves (Deixe-me Entrar, de 2012, e Planeta dos Macacos: A Guerra, de 2017) entrega uma narrativa neo noir que não deixa a desejar no escopo de seu suspense. Do início ao fim, a atmosfera consome o espectador e só o devolve de volta quando as luzes da sala se acendem. Esta é a experiência criada pelo roteiro de Reeves e Peter Craig (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 e Parte 2, de 2014 e 2015, e Imperdoável, de 2021) que espera os fãs a partir desta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros.

Em seu segundo ano como vigilante, Bruce Wayne (Robert Pattinson) enfrenta uma ameaça muito maior do que os criminosos cotidianos de Gotham. À sombra de assassinatos de figuras políticas ilustres da cidade, o vigilante mascarado se depara com o enigmático Charada (Paul Dano). O rastro mortal de seus enigmas levarão Bruce ao confronto do passado de sua família e cidade natal. Enquanto a corrupção de Gotham é exposta num circo sádico do vilão, o Homem-Morcego precisa contar com seus aliados, Alfred Pennyworth (Andy Serkis) e o tenente James Gordon (Jeffrey Wright), para deter o Charada. Mas para desvendar esse mistério ele terá que ressurgir das sombras enquanto se esbarra com figuras conhecidas do público, como o Pinguim (Colin Farrell) e a Mulher-Gato (Zoë Kravitz).

The Batman

O novo Batman

Após mais de 50 anos fazendo aparições em longa-metragens, é a primeira vez que o público vê o herói desta forma. Falar de Batman é descrever sensações. É um filme sensorial que te coloca na solidão da gélida Gotham City. A técnica perfeitamente orquestrada na execução e condução das cenas, a trilha sonora compondo símbolos sombrios e destemidos e a composição visual de uma cidade ainda mais descarrilada, densa e, aparentemente, sem esperanças.

Todos os atores do Batman no cinema antes de Robert Pattinson

A virada de chave para a mudança de Gotham sempre esteve nas figuras que guardam os portões e na crença de que podem existir dias melhores. E a força deste Batman está, principalmente, nesta trajetória. O que é mostrado ao espectador é um Bruce que desaprendeu a ser ele e se tornou a sombra de uma vingança sem propósito. Jim Gordon ainda não tem dimensão da corrupção que existe em sua cidade e Alfred ainda luta com os dilemas de seu protegido não saber equilibrar suas duas vidas. O roteiro de Reeves e Craig inteligentemente lida com uma Gotham palpável, que luta para sair de um buraco.

A trajetória, no entanto, só alcança seu potencial porque é respaldada por uma direção firme. Matt Reeves tem escolhas corajosas e não tão convencionais ao conduzir as cenas, o que dá um fôlego a mais para o filme. Batman, apesar de suas quase três horas de duração, não titubeia um segundo em prender a atenção do espectador. E, mesmo com um pequeno deslize após a grande revelação do plano do Charada, o longa se mantém coerente e magnético.

The Batman

O elenco

E ainda que tenha uma direção, fotografia, roteiro e trilha sonora dignas de indicações a grandes prêmios do cinema, Batman é um espetáculo neo noir graças a vida que seu elenco dá para cada um dos personagens. Robert Pattinson (O Farol, de 2019, e O Diabo de Cada Dia, de 2020) entrega um vigilante quebrado e perdido, como jamais foi visto antes. As suas falhas e dores mostram como o herói está ainda em construção, assim como a sua jornada. A versão de Pattinson do herói é mais palpável e profunda do que qualquer outra anterior.

E para contrapor a força do personagem de Pattinson, Paul Dano (Okja, de 2017, e O Culpado, de 2021) entrega um Charada extraordinário. As referências imagéticas que o público tem do enigmático vilão do Batman podem ser esquecidas com essa nova versão. Um antagonista à altura do escopo do filme. O Charada de Dano é igualmente sádico e brilhante. Os olhares, trejeitos e as ações do personagem são milimetricamente pensadas e executadas com maestria. Se comparativo é o que o público tanto gosta, aqui está algo que, dentro do contexto deste filme, pode se aproximar do que foi o Heath Ledger em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008).

Além dos personagens principais da produção, o elenco de coadjuvantes foi igualmente bem escalado. Zoë Kravitz (Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, de 2018, e Kimi: Alguém Está Escutando, de 2020), como Selina Kyle, é extraordinária. Kravitz encanta o público com sua força e sedução a cada frame. A ambiência noir propulsiona ainda mais a performance dela como a anti-heroína Mulher-Gato. E, ao mesmo tempo que ela cria algo novo, é possível perceber o respeito e o uso de referências tanto às hqs como a interpretação dada por Michelle Pfeiffer (Homem Formiga e a Vespa, de 2018, e Saída à Francesa, de 2020) à personagem.

Assim como a Mulher-Gato, Jim Gordon é outro poderoso expoente no longa. Jeffrey Wright (007: Sem Tempo Para Morrer e A Crônica Francesa e , ambos de 2021) traz para as telonas uma faceta ainda não vista do personagem. Apesar dos louros de Gary Oldman (Mank, de 2020, e A Mulher na Janela, de 2021) ao fazer Gordon na trilogia do Cavaleiro das Trevas, Wright mostra a inocência e a escalada do futuro comissário de Gotham com uma sutileza encantadora. Fora que, tanto Jeffrey como Zoë, são dois alicerces de propulsão ao Bruce Wayne de Pattinson.

The Batman

O futuro

Batman é uma jornada à parte do Universo Estendido da DC (DCEU). Apesar de se falar muito sobre as dificuldades e os desejos para o DCEU, esta é uma obra que não fará parte do universo e está tudo bem. Ela se basta. E, mesmo com as teorias sobre uma possível união de mundos após os eventos de The Flash – que chega aos cinemas em novembro deste ano – é provável que Batman siga como sua própria história solo.

No entanto, a jornada não acaba com este filme. Já foram anunciados dois spin-offs em formato de séries: um sobre o Departamento de Polícia de Gotham City no primeiro ano do vigilante lutando contra o crime; e outro sobre a escalada do Pinguim como um expoente de poder na corrompida cidade do Homem-Morcego. Ainda não se sabe se Pattinson ou Wright irão voltar para reprisar seus papéis na série sobre a polícia de Gotham. Em compensação, Colin Farrell já assinou para voltar como o icônico mestre do crime. E as expectativas são altas para que ele entregue ainda mais com essa narrativa seriada gângster.

No fim, talvez a maior qualidade do longa seja a despretensão. O filme é grandioso, mas não existe a pomposidade vazia de obras que se debruçam nos enfeites. Batman é o que é porque a qualidade e o empenho técnico e de produção são indiscutíveis. Não é mais uma história do vigilante mascarado, é uma jornada completamente diferente do que já foi visto. E essa força vai ressoar nos fãs que, evidentemente, vão pedir mais. Então, os possíveis filmes futuros dessa nova trilogia (ou até mesmo franquia) serão aguardados com clamor e ansiedade. Mas, por ora, o necessário é entender que Batman é uma experiência cinematográfica sem igual.

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