28 de outubro de 2017

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Crítica | Better Watch Out revitaliza slasher natalino com narrativa surpreendente e instigante

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Better Watch Out (2016)

Muito comum durante as décadas de 1970 e 1980, o terror que se passa durante a época de feriados ou em algum deles (como Halloween ou Natal) teve um sucesso recente com o lançamento da produção australiana Better Watch Out (anteriormente chamada Safe Neighborhood). O filme traz consigo uma volta inacreditavelmente interessante para um tipo de horror que não funcionava mais. Com exemplos fracassados de remakes do subgênero – como Natal Negro (2006) e Dia dos Namorados macabro 3D (2009) – a história natalina mescla medo e tensão com uma dose cômico-satírica perfeita para prender o público de uma maneira inesperada. As dinâmicas que fazem Better Watch Out caminhar por entre os gêneros cinematográficos distintos é um de seus pontos mais fortes.

Numa noite comum, o senhor e a senhora Lerner (Patrick Warburton e Virginia Madsen) saem para uma festa e deixam seu filho, Luke (Levi Miller), sob os cuidados da jovem Ashley (Olivia DeJonge), cujo menino é apaixonado há anos. Ao longo da noite, enquanto Luke tenta mostrar seu interesse pela babá, coisas estranhas acontecem levando Ashley a acreditar que a casa está sendo invadida por ladrões. O problema é que essa invasão é diferente de qualquer outra, fazendo com que o pior pesadelo da garota esteja apenas começando.

 

Com uma dose sádica de comédia e uma atmosfera angustiante, Better Watch Out prova que ainda existem boas ideias para subgêneros do terror que, supostamente, estavam mortos. O roteiro de Chris Peckover, que também assina a direção do filme, e Zack Kahn embala o espectador numa surpreendente série de acontecimentos que desafiam a imaginação. As reviravoltas da produção são constantes e não param de chocar o espectador. Não há espaço para obviedades no enredo desta história, fazendo dela uma criativa produção de terror.

Better Watch Out (2016)

A partir de angulações corretas e cenas bem dirigidas, Chris faz com que o público fique na ponta da poltrona, roendo os dedos. A curiosidade do espectador não para de ser instigada a cada plot twist, afinal, esse é o tipo de filme que as surpresas só acabam depois dos créditos finais. Assim, a direção consegue manter a atenção de quem assiste do início ao fim do longa ao renovar as possibilidades do subgênero. Better Watch Out prova que basta uma boa ideia seguida de esmero para se fazer um trabalho de qualidade.

As performances entregues pelo elenco são outro ponto forte da produção. Apesar de ser dominado por atores jovens, Better Watch Out tem um resultado poderoso quando se fala em atuações. Apesar da pouca idade e experiência, os atores e a atriz que ficam no centro da narrativa dominam a cena e conquistam o público de cara. É impossível não pontuar sobre a troca cênica feita por Olivia DeJonge (A Visita, de 2016, e Elvis, de 2022) e Levi Miller (Peter Pan, de 2015, e Uma Dobra no Tempo, de 2018). Os dois dão força um ao outro e essa dinâmica em cena só faz com que suas performances ganhem ainda mais força.

Manter a qualidade num terror satírico não é nada fácil, contudo o projeto australiano acerta no conjunto fílmico e chega nesse resultado surpreendente. Com um roteiro criativo, uma direção bem planejada e atuações bem construídas, o terror natalino vai deixar você com o coração palpitando. Não há um segundo sequer durante os 89 minutos de filme onde a perseguição e o desespero das personagens não captam sua atenção. De agora em diante, trancar a porta, ter um alarme em casa e estar sempre preparado para o bizarro são regras do Natal porque, no fim das contas, é melhor ter cuidado com a “vizinhança segura” como é mostrado em Better Watch Out.

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