12 de fevereiro de 2022

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Crítica | Morte no Nilo: os fãs de Agatha Christie tem muito com que se preocupar

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O longa Morte no Nilo finalmente chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (10), trazendo a adaptação do livro homônimo de Agatha Christie.

A produção que sofreu diversos atrasos por conta da pandemia de Covid-19 e dos escândalos envolvendo um de seus protagonistas, Armie Hammer, não poupou custos em trazer um elenco espetacular para contar uma das histórias de detetives mais famosas da literatura inglesa.

Com a sinopse,

As férias do detetive belga Hercule Poirot, no Egito, a bordo de um glamoroso navio cruzeiro, transformam-se numa procura terrível por um assassino, quando a lua de mel idílica de um casal perfeito é tragicamente interrompida. Situado num cenário épico de paisagens desertas arrebatadoras e as majestosas pirâmides de Gizé, este conto de desenfreada paixão e ciúme incapacitante apresenta um grupo cosmopolita de viajantes impecavelmente vestidos, e voltas e reviravoltas suficientes para deixar o público expectante até ao chocante desfecho final.

a história tinha uma promessa de entregar um importante mistério, mas será que conseguiu?

Se tem uma palavra que pode definir esse longa, seria ‘problemático’. O projeto que parecia promissor com o sucesso de O assassinato no expresso do Oriente, mostrou-se decepcionante. A narrativa conseguiu ser deturpada e ficar travada em detalhes desnecessários e poucos abordados na obra original. O enredo tenta mas não prende quem assiste.

Diferente do primeiro filme do detetive, Poirot (Kenneth Branagh) se mostra enfadonho e exageradamente sentimental, oposto ao seu comum brilhantismo e astucia. Mesmo com um elenco de primeira, as atuações são sofríveis, com alguns momentos bons e pontuais de Gal Gadot como a protagonista Linnet, e a primeira vítima dos assassinatos, e Emma Mackey, como a obsessiva Jacqueline. Armie Hammer conseguiu apagar seu personagem Simon Doyle e mesmo tentando, não consegue cativar quem assiste.

Para não falar dos péssimos efeitos especiais usados na trama, que beira o cômico de tão mal feito que ficou. A cena das pirâmides é a mais lamentável e decepcionante, parecendo uma produção televisiva intencionalmente ruim.

Afinal de contas, o que acontece no filme?

Assim como detalha a sinopse, o longa traz o famoso detetive em suas férias, misturado em uma confusão de egos e relações problemáticas. O filme começa contando a história de Poirot na guerra, a origem de seu “icônico” bigode e seu primeiro amor. Logo temos uma passagem de tempo e encontramos o detetive chegando a um bar e restaurante, onde ele é aclamado pelas pessoas presentes, devido a seus feitos. Durante a visita, ele observa as interações humanas e tem o primeiro contato com o trio Linnet, Jacqueline e Simon.

Logo fica claro que Jacqueline e Simon eram noivos e acabam terminando pois Simon se “apaixona” por Linnet. Em mais uma passagem de tempo – seis semanas depois do primeiro encontro, Linnet e Simon se casam e celebram sua nova vida no Egito e mais uma vez Poirot é carregado as festividades, por amigos em comum com os noivos. A trama perde muito tempo mostrando a perseguição de Jacqueline com os noivos e o desespero dos mesmos para se livrar dela.

Há tentativas de assassinatos ao longo da história, que consegue entregar seus valiosos mistérios e tragédias apenas na segunda metade final. Com uma sucessão de mortes e acontecimentos instigantes, Poirot se vê perdido em um mar de pessoas interesseiras e que tinham todos os motivos para assassinar a noiva. O desfecho que tinha tudo para ser improvável e surpreendente como o livro, não surpreende e revela o óbvio que a telona não conseguiu esconder: Simon é o culpado pela morte de sua amada em conluio com sua ex-noiva e amante, Jacqueline. Ao serem descobertos por Poirot e em um último ato de desespero para se livrar da prisão, Jacqueline atira e se mata juntamente com seu amado, que caem desfalecidos e abraçados, concluindo assim a trama do filme.

Ao fim do longa, um gosto meio amargo fica na boca, num mix de desapontamento e desconserto. Mesmo em uma adaptação muito próxima ao livro, a mensagem não foi transmitida e a sensação de perda de tempo ficou presente. Que as próximas adaptações tenham menos conflitos no processo de produção e consiga transmitir a emoção da obra, assim como a versão de 2017 conseguiu fazer. Nota 05.

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