1 de dezembro de 2021

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Crítica | Mudança Mortal tem reviravolta mal elaborada e fracassa em gerar medo

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As falhas e glórias de um filme que tenha a tensão como base estão nas escolhas. O plot final é fundamental para margear o resto da narrativa e dar liga e força à ela. Os longas-metragens que focam sua atenção em criar sustos pontuais ou mimetizar o oculto acabam tendo resultados frágeis. E é perceptível quando isso acontece, como em Mudança Mortal, produção da Netflix que entrou no catálogo há alguns meses.

Natalie (Ashely Greene) e Kevin (Shawn Ashmore) são um jovem casal que está passando por um momento difícil em seu casamento. Para reconstruir o relacionamento, eles decidem comprar uma casa que parece ser o lugar perfeito para recomeçar. No entanto, a casa dos sonhos veio com um preço muito mais alto do que imaginavam. Agora eles têm que se unir para enfrentar os acontecimentos macabros e sem explicação que estão botando suas vidas em risco.

Para um olhar mais atento, fica evidente nos primeiro minutos da produção que ela tem seus buracos e que, acompanhar o filme até o final, só vai revelar mais e mais problemas. Aftermath (título original), dirigido por Peter Winther e escrito por Dakota Gorman, curiosamente consegue fazer com que o espectador fique mais uns minutos, dando uma nova chance ao filme. No entanto, isso gera um problema ainda maior para a produção.

Pior do que criar um produto ruim, é criar algo medíocre, desperdiçando um possível potencial. Porque o ritmo do filme, por exemplo, funciona. É ele que ajuda o público a se manter assistindo a produção até o final. E as repetições e mimeses do medo postas no início são até suportáveis enquanto o filme tenta te convencer de que há algo bom guardado para surpreender o espectador no final – e, spoiler óbvio, não existe nada.

Mudança mortal Netflix

Com um roteiro que não sai do campo comum e uma direção que investe em planos e movimentos de câmera seguros, Mudança Mortal não ganha um gás por suas forças motrizes básicas. Mas, para a surpresa do público, Ashley Greene (A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2, de 2012, e O Escândalo, de 2019) e Shawn Ashmore (X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, de 2014) entregam bons desempenhos. Mesmo não sendo capazes de sustentar a narrativa, os atores conseguem convencer o público de acompanhar a jornada deles.

Outro fator que cria expectativas erradas sobre a produção é o letreiro no início dizendo que a história é inspirada em fatos reais. É uma escolha delicada, num filme de terror, usar essas palavras. Elas guiam o público para outro lugar e, caso você não entregue o palpável, só contará como outro ponto negativo. E é isso que acontece nessa produção. Os fatos reais que inspiram este longa são mínimos possíveis. Isolados, eles poderiam até criar um thriller interessante, mas, inseridos em meio a essa exagerada jornada, apenas leva o projeto para um lugar ainda pior. O que fica desse “inspirado em fatos reais” é um apelo desesperado da produção para chamar atenção de quem estiver assistindo.

Mas o maior problema mesmo está no plot final. A medida que o filme vai ganhando forma e começa a crescer nas dinâmicas que encaminham o espectador ao final da trama, a expectativa é quebrada com uma reviravolta fraca e sem nexo. Parece que eles mudaram o final do filme durante as gravações. Soa até como se a produção tivesse pego o clímax de outra história e unido ao restante desta trama. E todos esses deslizes são potencializados por um final clichê de terror, que não tem coerência com a resolução da história.

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