7 de julho de 2022

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Crítica | Thor: Amor e Trovão encontra um formato mais coerente para o herói, mas ainda peca na narrativa

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Thor: Amor e Trovão (2022)

A Marvel Studios tem entregado ao espectador novidades nesta nova etapa do seu Universo Compartilhado. A 4ª fase do MCU mostrou que as narrativas de heróis podem ir além e assim o fez com produções como WandaVision (2021), Eternos (2021), Cavaleiro da Lua (2022) e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022). No entanto, a fórmula padrão da produtora segue presente e o mais novo lançamento da Marvel está neste grupo. Thor: Amor e Trovão chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (7).

Após descobrir os massacres causados por Gorr, o Carniceiro de Deuses (Christian Bale), Thor (Chris Hemsworth) volta para Nova Asgard com o objetivo de saber se seu povo está em segurança. Lá ele se depara com duas surpresas: um ataque de Gorr e seus monstros das sombras e a presença de sua ex namorada, Dra. Jane Foster (Natalie Portman), carregando o seu antigo martelo, o Mjölnir, e assumindo a persona heróica da Poderosa Thor. A partir daí, Thor, Jane, a Rainha Valquíria (Tessa Thompson) e Korg (Taika Waititi) começam uma insana jornada para deter o Carniceiro de Deuses.

O novo longa-metragem do deus nórdico traz um formato melhor estruturado para a roupagem do Thor trazida por Taika Waititi (O Que Fazemos nas Sombras, de 2014, e Jojo Rabbit, de 2019) em Thor: Ragnarok (2017). A questão sobre Thor: Amor e Trovão está nas lacunas narrativas por trás do herói. O roteiro de Taika e Jennifer Kaytin Robinson (Alguém Especial, de 2019, e Unpregnant, de 2020) consegue ser mais coeso na dosagem do Thor engraçado, no entanto, as questões existenciais do personagem são rasas. O deus está há três aparições no MCU buscando se encontrar no mundo e descobrir o seu propósito, mas isso não sai da superfície.

Thor: Amor e Trovão (2022)

 

Thor: Amor e Trovão traz um Thor brincalhão, mas que não tem tantos excessos como no terceiro filme. Da mesma forma, o deus ainda se mostra perdido em suas ações e sempre dependente de seus companheiros de jornada para construir a sua história – exatamente como aconteceu nos outros três filmes. E, apesar de faltar mais profundidade e dimensionalidade para a construção do personagem – que é mais do que um deus nórdico bonito e engraçadinho -, a otimização da narrativa é clara. Dos quatro projetos protagonizados por Hemsworth, este é o mais coeso, apesar das faltas.

E, para entender melhor essas faltas, basta olhar para o personagem-título. Hoje, graças a marca taikiana, os filmes do Thor tem uma estética própria – por mais que neste pareça ter bebido bastante da fonte dos Guardiões da Galáxia de James Gunn -, estética essa que trabalha com os excessos. Da mesma forma, a produção sobre o deus nórdico trabalha as questões existenciais dele desde o primeiro filme e até hoje parece viver da mesma estrutura. Assim, os filmes podem mudar a roupagem, podem chegar um resultado mais coeso e coerente, mas ainda existe uma fragilidade na narrativa que é inegável. Assim, Thor: Amor e Trovão veste uma roupa de épico, mas acaba sendo uma epopeia das faltas.

Sem uma história com corpo e bom desenvolvimento, é difícil que se aproveite os personagens. As trajetórias da personagem de Tessa Thompson (MIB: Homens de Preto Internacional, de 2019, e Identidade, de 2021) e do Taika são alguns exemplos disso. Eles estão em Thor: Amor e Trovão, fazem parte da jornada, mas são esquecidos e descartados gratuitamente no momento de resolução da trama. A Poderosa Thor, vivida por Natalie Portman (Vox Lux – O Preço da Fama, de 2018, e Lucy In The Sky: Uma Lágrima na Imensidão, de 2019), por sua vez, tem um aproveitamento um pouco melhor por ter o arco da transformação e o que a leva a fazer isso.

Thor: Amor e Trovão (2022)

 

No mais, as participações especiais continuam a acontecer como momentos cômicos e/ou nostálgicos. Foi um artifício usado no terceiro filme que parece ter ficado como uma marca da nova estética que veio com Ragnarok. Logo, a presença de Matt Damon (Stillwater e O Último Duelo, ambos de 2021) e Melissa McCarthy (The Starling e Esquadrão Trovão, ambos de 2021) são apenas um apelo cômico ao público. Já no caso da presença de Russell Crowe (Boy Erased: Uma Verdade Anulada, de 2018, e Liga da Justiça de Zack Snyder, de 2021), o ator entra em cena para ser uma caricatura de Zeus – leia-se mais um ponto cômico e exagerado para a trama de Thor: Amor e Trovão.

Outra melhora em comparação ao longa anterior é a figura vilanesca. Diferente de seu antecessor, Thor: Amor e Trovão soube aproveitar o talento do artista convidado para ser a oposição ao deus do trovão. Christian Bale (Vice, de 2018, e Ford vs Ferrari, de 2019) está brilhante como o terrível Gorr. A sua presença em cena emana tensão, medo e terror, exatamente como o Carniceiro de Deuses deveria ser representado. Ao aparecer na tela, tudo muda. A estética do filme, a trilha e o tom são orquestrados pela ira de Gorr e alimentados por seu desejo de vingança contra os deuses. Este é, inclusive, o segundo maior acerto da produção – depois de achar o tom certo para a jornada que Taika começou em 2017.

Com o fim da sessão, Thor: Amor e Trovão soa, sem sombra de dúvidas, como a melhor jornada do deus do trovão. Apesar das faltas e de alguns excessos, o diretor e roteirista conseguiu entregar a melhor dosagem do que o Marvel aceitou entregar sobre Thor. Contudo, uma questão precisa ser levantada: será que, depois de entregar produções mais corajosas e maduras, ainda é aceitável que o estúdio faça uma narrativa que, em sua maioria, não sai da superfície? Talvez tenha chegado o momento de entender as fragilidades e cuidar delas para que o futuro seja mais forte. Talvez o amanhã do deus nórdico seja ainda mais diferente.

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