16 de maio de 2022

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Crítica | ‘Sorte de Quem?’ desperdiça suspense cômico com roteiro fraco e plots mal desenvolvidos

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Sorte de Quem? (2022)

A Netflix é receptiva a projetos arriscados e diferentes. Em alguns casos, sucessos estrondosos acontecem, como em Okja (2017), A Balada de Buster Scruggs (2018) e Não Olhe para Cima (2021). Os três projetos são longas-metragens que investem em uma mescla de humor ácido com algum outro gênero cinematográfico — a exemplo do indicado ao Oscar de 2022, que flerta com a ficção científica. Com ressalvas ou não a alguma dessas produções, o streaming soube, como produtora, vender e dosar o tom dos três. Isso, no entanto, não acontece sempre, como é o caso de Sorte de Quem?, que estreou na plataforma no meado de março como nova decepção e desperdício de potencial.

No caso do longa dirigido por Charlie McDowell, o problema está no roteiro. A trama foi co-criada por McDowell, Jason Segel, Justin Lader e Andrew Kevin Walker — sendo os dois últimos os responsáveis pelo roteiro. A jornada de desventuras vividas pelos três personagens principais da trama encerra com um gosto amargo na boca do espectador. Em seus primeiros 30 minutos, o filme já se perde e começa a repetição de discursos e show de obviedades. A premissa de Sorte de Quem? é interessante e, se tivesse sido bem executada, teria sido um dos melhores filmes já lançados até então. O resultado, claro, não poderia ter sido mais contrário.

Uma casa de férias isolada e vazia parecia ser o local perfeito para um assalto. Com donos ricos que quase não vão à propriedade, o ladrão (Jason Segel) decide agir para tentar realizar o roubo. O que ele não contava era com a visita surpresa dos donos, o rico CEO (Jesse Plemons) e sua esposa (Lily Collins). Aquilo que começou com um assalto fácil se torna uma bola de neve de desventuras para os envolvidos.

Sorte de Quem? (2022)

Sob uma áurea similar aos filmes dos irmãos Coen (Ave, César!, de 2016, e A Balada de Buster Scruggs), a trama se estabelece e tenta construir o seu suspense ácido. A dinâmica do elenco é o que consegue segurar o início do longa com diálogos carregados de sarcasmo e críticas. A dinâmica deles em cena cria a atmosfera coeniana através de uma narrativa repleta de desventuras trágicas. Essa sensação, no entanto, logo passa e dá lugar ao arrastar do que parecia uma boa ideia. O potencial de Sorte de Quem? poderia ter feito dele uma espécie de fábula tragicômica estilo Fargo (1996), mas o roteiro chega em seus últimos momentos como uma ideia perdida.

Diante dos contextos de falha do roteiro, é preciso pensar o lugar do intérprete. Para que uma produção alcance o patamar de equilíbrio, é necessário que exista uma consonância entre as atuações e o elenco. Neste caso, o elenco formado por Jason Segel (Sex Tape: Perdido na Nuvem, de 2014, e How I Met Your Mother, de 2005-2014), Jesse Plemons (Estou Pensando em Acabar com Tudo, de 2020, e Ataque dos Cães, de 2021) e Lily Collins (Mank, de 2020, e Emily em Paris, desde 2020) mostra que tem uma dinâmica boa entre si e fazem o roteiro funcionar até onde conseguem. Sem um texto bem estruturado, no entanto, eles não são capazes de superar as falhas e entregar a trama que o público é induzido a acreditar que seria Sorte de Quem?.

No decorrer do segundo ato do filme, o sarcasmo perde eficiência e as críticas se tornam gastas. A força inicial de Sorte de Quem? se esfacela por conta do roteiro desfocado. Nem mesmo o plot no final do terceiro ato é capaz de apagar as falhas anteriores. Assim, a sensação que fica ao acabar o longa é que Lader e Walker são fãs dos irmãos Coen e tentaram reproduzir o estilo deles, sem sucesso. Mais uma vez a Netflix mostra que uma boa ideia pode ser desperdiçada quando o texto é fraco e os plots são mal desenvolvidos.

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