23 de junho de 2022

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Crítica | Veja por Mim atualiza thriller clássico de invasão

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Veja por Mim (2022)

Na última década, o público mundial tem consumido cada vez mais thrillers. E, junto com a demanda, as produções cresceram igualmente para acompanhar o desejo do espectador. Produções de sucesso como Uma Noite de Crime (2013) e O Homem das Trevas (2016) começaram como um desses segmentos, os thrillers de invasão domiciliar. Assim como esses, outros tantos exemplos de sucesso podem ser citados, mas nada supera o vencedor do Oscar, Parasita (2019).  O aclamado longa-metragem, no entanto, vem de uma cultura de suspenses clássicos que datam do início do cinema, por volta dos anos 1900.

Desde D. W. Griffith, com The Lonely Villa (1909), o subgênero do thriller de invasão domiciliar tem um apelo ao público. Os anos passaram e novas produções marcaram esse segmento fílmico, como Um Clarão nas Trevas (1967), Quando Um Estranho Chama (1979), O Quarto do Pânico (2002) e Hush: A Morte Ouve (2016). Nesta quinta-feira (23), Veja por Mim chega aos cinemas brasileiros para sua prova de fogo, na tentativa de entrar para o hall dos longas sobre invasão domiciliar. O filme aposta numa atualização tecnológica dos dilemas vividos pela personagem de Audrey Hepburn em Um Clarão nas Trevas.

Sophie (Skyler Davenport) é contratada por uma mulher rica para cuidar de seu gato enquanto viaja. O que a jovem ex-esquiadora cega não sabia era que, em meio ao trabalho na isolada mansão, ela daria de cara com o perigo. Em sua primeira noite na casa, três ladrões invadem a residência na tentativa de roubar uma fortuna contida dentro do cofre. Sem saber que Sophie está lá, a única ajuda que ela tem é um aplicativo chamado “Veja por Mim”. Na tentativa de pedir socorro, ela contacta Kelly (Jessica Parker Kennedy), uma voluntária do app que, ao atender a ligação, passa a ser os olhos de Sophie em meio ao perigo eminente.

Veja por Mim (2022)

A maior sacada do filme é a dinâmica do elenco. Com poucos atores, a direção de Randall Okita consegue conduzir bem as nuances de tensão que a trama necessita. A dupla Skyler e Jessica (The Flash, desde 2018) entrega ao público uma dinamicidade interessante, apesar da pobreza do roteiro. As duas são a força de Veja por Mim e as responsáveis pelos melhores momentos dele. As demais interações com o restante do elenco são mais frágeis por conta de suas motivações pouco exploradas.

No que tange o roteiro, o trabalho de Adam Yorke e Tommy Gushue deixa a desejar. Não existe um desenvolvimento mais elaborado dos acontecimentos secundários. Até mesmo a história pregressa de Sophie e Kelly soa insuficiente para o espectador. São as ações das duas que sustentam suas personagens, diferente dos demais. A trama por trás do assalto, por exemplo, poderia ser um plot interessante se tivesse tido um desenvolvimento mais lapidado. Não existe sutileza textual em Veja por Mim, é tudo exageradamente direto, o que resulta em alguns momentos de inconsistência e fraqueza da narrativa.

No entanto, a forma como Yorke e Gushue atualizam a história é interessante. Os outros contextos de Veja por Mim já haviam sido abordados anteriormente dezenas de vezes, mas o uso do app para guiar a personagem de Skyler foi uma boa sacada. Talvez a melhor ideia atrelada ao roteiro, já que ela rendeu a parceria entre as duas atrizes. O uso do aplicativo que dá nome ao filme, além de criar a dinâmica entre elas, também reforça os dilemas pessoais da personagem principal, criando mais profundidade para ela.

Ao final da sessão, o espectador pode até sair com questões ao filme, mas irá se divertir. Veja por Mim é uma produção para aqueles que querem viver a adrenalina que um bom thriller pode proporcionar, sem ter um comprometimento intelectual posterior. Não há o que refletir ou discutir sobre o filme depois de assistí-lo. O longa é uma experiência do aqui e agora e isso será o suficiente para muitos. Então, se assim for o caso, a produção canadense ocupará um lugar privilegiado durante os seus 92 minutos de duração, apesar de poder ser esquecida pouco tempo depois.

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