3 de março de 2022

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O que é RPG de mesa? O Guia Definitivo para começar sua aventura

13 min read

RPG de Mesa é um jogo onde jogadores se juntam ao redor de uma mesa e interpretam personagens criados por eles, dando uma cara e um perfil com emoções, falas, habilidades e trejeitos, dentro de aventuras estipuladas por um sistema de um mundo fantástico.

A sigla “RPG” em inglês significa “Role Playing Game”, que em português seria “jogo de interpretação de papéis”, em tradução direta, algo como um teatro, mas decidido por elemento de jogo.

Muitos confundem esse estilo de jogo com jogos de tabuleiros, o que não está totalmente errado, a diferença é que o jogo de tabuleiro é simples e direto, você deve completar o jogo conforme as regras determinadas, ou seja, você deve ir do ponto A ao B e sempre segue esse roteiro. Já o RPG é mais dinâmico não seguindo um roteiro, ou seja, jamais teremos um jogo igual, cada aventura, jogada e personagem são únicos. Além do que, diferente dos tabuleiros, no RPG existe um jogador que é chamado de “Mestre”, é ele quem conduzirá as partidas narrando às histórias e colocando desafios para os personagens, sendo o juiz das regras de acordo com o sistema ou mundo que estão jogando.

O que são Sistemas?

Sistemas são jogos de RPG que tem sua própria funcionalidade dentro regras e mundo. Cada um é único e é a primeira coisa que deve ser definida pelos jogadores. É como se fosse escolher um jogo em questão para jogar.

Alguns sistemas:

Dungeons & Dragons é um dos jogos mais populares ao redor do mundo, basicamente não tem um jogador de RPG que já não tenha jogado ele. Por ser o primeiro jogo a ser lançado, muitos vieram ou continuam nesse sistema que perdura por mais de 50 anos. Nele você vive aventuras medievais e fantásticas únicas dentro de um mundo caótico, criando personagens onde você pode ser o herói da história ou o vilão, mas isso quem decide é você.

Hoje ele está na sua 5ª edição, remodelado e mais completo do que sua primeira versão de 1971.

Outro detalhe a respeito é que ele foi criado para ser um jogo que remetia aos contos de O Hobbit e Senhor dos Anéis. Eles criaram todo um sistema onde se basearam fortemente nessas obras e deram todo um aspecto único e dinâmico para o continente chamado de Forgotten Realms que faz parte do mundo de Abeir-toril.

Outro sistema muito conhecido pelo público brasileiro é Vampiro Máscara. Um jogo de terror onde os jogadores tem que ter uma interpretação mais focada no drama pessoal dos personagens, algo mais sombrio, vamos dizer assim.

No começo dos anos 2000, esse sistema teve diversos problemas por ser algo mais voltado para o terror. Muitos pais da época, não conhecendo a respeito, acabaram demonizando o RPG de mesa como um todo. Claro que na época os jogadores também ajudaram a aumentar essa fama um tanto ruim, já que alguns se vestiam como seus personagens e andavam pela cidade invadindo cemitérios para realizar certos desafios que o “mestre” colocava para eles. Isso acabou repercutindo muito mal para o circulo de pessoas que realmente jogava por diversão, de forma pacifica.

Mas com o passar do tempo os membros da comunidade ajudaram a limpar o nome do RPG de mesa e hoje já virou um hobby sadio. Claro que muitos ainda tentam demonizar esse jogo e tentam destruir todo esse mundo incrível, mas isso é comum em meio a tudo que já foi criado pelo homem.

Além desses dois, temos um que é 100% brasileiro: Tormenta RPG é um jogo que foi criado por brasileiros seguindo as regras básicas de um RPG de mesa tradicional, sendo também um sistema medieval fantástico dentro do mundo de Arton.

Na época ele foi muito bem aceito pelo público e durante 20 anos ele foi bastante relevante dentro do cenário brasileiro. Agora, ele já tem sua segunda edição chamada Tormenta 20, que deu uma renovada na franquia e novas possibilidades de jogo.

Outros grandes clássicos são Gurps, 3D&T, O Chamado de Cthulhu, Pathfinder, Cyberpunk 2020, The Witcher RPG, Senhor dos Anéis RPG e tantos outros sistemas e mundos que temos hoje.

Por falar nos dias atuais, no Brasil, jogar RPG de mesa era um desafio a mais, já que na época não existia internet e o único meio de jogar é se algum amigo tinha os livros, assim a galera se reunia para fazer os “XEROX” e jogar por anos com aquilo. Com o passar dos anos, ficou um pouco fácil, mas apenas na última década é que realmente se expandiu de forma assustadora, dando acesso a todo o tipo de sistema e mundos do RPG.

Itens

Para poder jogar vocês precisam de uma versão dos livros do sistema, lápis, papel e um conjunto de dados. Lápis e papel são para fazer anotações das campanhas e de informações que vocês acham relevantes durante o jogo.

Os livros dependendo do sistema podem ser apenas um ou vários, exemplo Dungeon & Dragons, que constitui por três livros, um livro de jogador, um de mestre e um de monstros. Temos o Tormenta RPG que precisa de apenas um livro.

Além dos livros você vai precisar de um conjunto de dados, sendo sete ao todo. Cada um serve para uma situação específica e muitas vezes repetindo as jogadas por diversas vezes.

Os dados:

  • 1D4;
  • 1D6;
  • 1D8;
  • 1D10;
  • 1D12;
  • 1D20;
  • 1D% ou D100.

Personagens

Após vocês decidirem o sistema, é a vez de escolher que tipo de personagem você quer ser. Dividido em raças e classes, o jogador tem múltiplas possibilidades, onde todos são únicos e dinâmicos, então, mesmo se você e seu amigo escolherem a mesma raça e a mesa classe, o personagem em si é diferente, porque cada um fará do seu jeito exclusivo.

“Mas como assim raças?”

Para explicar vou dar como exemplo o D&D (Dungeons & Dragons) da 5ª edição.

  • Anões;
  • Elfos;
  • Humanos;
  • Halflings;
  • Draconatos;
  • Gnomos;
  • Meio-Elfo;
  • Meio-Orc;
  • Orcs;
  • Tieflings.

As classes são a sequência da criação de um personagem, elas seriam como uma profissão no mundo para você, algo que você segue até o fim de sua jornada.

  • Bárbaro;
  • Bardo;
  • Bruxo;
  • Clérigo;
  • Druida;
  • Feiticeiro;
  • Guardião;
  • Guerreiro;
  • Ladino;
  • Mago;
  • Monge;
  • Paladino.

Regras

As regras de RPG são muito importantes para o jogo funcionar corretamente, mas a regra principal é a diversão em amigos. Mesmo assim vamos dar algumas dicas para que possam ter uma experiência fantástica e emocionante.

1ª – Seja cooperativo.

Coopere com os colegas da mesa, não seja egoísta e mesquinho só para se prevalecer, ao invés disso ajude e colabore com o grupo, lá na frente você vai perceber que se decidir lutar por algo, até mesmo criar algo grande para a história do seu personagem ou até mesmo do Mestre, você sairá ganhando muito.

Obs.: isso vale tanto para um personagem maligno como bondoso.

2ª – Leia os Livros.

Essa é uma das dicas mais importantes na real, porque sem ler você não tem um progresso no mínimo bom para continuar a jogar RPG.

“Mas poxa, tem como jogar sem ler os livros?”

Tem! Mas não será a mesma coisa e posso dizer que você não saberá fazer nem 99% das coisas no RPG.

Leia os livros, não precisa ler todos que você ver pela frente, fale com o seu mestre e veja com ele quais livros precisa ler para que possa saber as regras do jogo e poder ter uma experiência TOP nesse universo do RPG.

3ª – Escolha de personagem.

Não existe personagem ruim, mas sim jogadores ruins.

“Como assim?”

Bem, quando você cria um personagem existem inúmeras possibilidades de criar, uma muito comum é escolher uma raça que combine com uma classe, mas também pode ser um pouco mais ousado escolhendo raças e classes opostas para tornar a brincadeira mais interessante e Isso é algo que podemos dizer, que para alguns jogadores se tornam o primeiro grande obstáculo.

Um problema que vejo muito por ai a fora e que de certa forma me irrita é os jogadores que criam um personagem na esperança de fazer um combinado perfeito para jogar, mas quando ele vê que não é aquilo que ele queria, se suicidando e fica trocando de personagem como se fosse ficar trocando de roupa, isso meus amigos se chama “jogador ruim”.

Como eu disse, não existe personagem ruim, mas sim jogador ruim, então não seja esse cara, crie um personagem e explore todas as possibilidades e dificuldades dele e você verá que irá valer muito a pena.

4ª – Compromisso e Foco

Sim eu sei tem duas dicas nessa, mas ambas estão 100% ligadas.

Uma das coisas que mais se nota nas mesas de RPG é o compromisso dos jogadores, alguns estão ali para jogar e ter uma experiência incrível, enquanto outros estão ali para passar o tempo e incomodar, então se liga nessa dica.

Quando você topa participar de uma mesa de RPG você torna isso como um compromisso com seus amigos e o mínimo que se pede é foco, já que o RPG de mesa é um jogo de interpretação e narrativas, então você precisa prestar atenção ao seu redor para entender e poder interagir da melhor maneira. Vou te dar uns pontos do que não se deve fazer na mesa, ainda mais nos dias de hoje:

  • Não fique trocando ideias paralelas que não seja sobre o RPG (a não ser que o grupo esteja em “OFF” pelo mestre, mas durante o jogo fique quieto e preste atenção);
  • Não fuja do compromisso por preguiça;
  • Não chegue atrasado (a não ser que houve algum problema sério);
  • NÃO FIQUE NO CELULAR (sério, não faça isso, deixe no silencioso).

5ª – Background

Quando você for criar um personagem geralmente o jogador cria uma história de origem, porém, muitos jogadores criam histórias mirabolantes e cheias de carga dramática para um personagem de 1ª nível e que esteja começando a se aventurar no mundo de RPG.

Isso acaba sendo bem ruim, afinal você esta começando a sua vida ali no jogo, ou seja, já vai ser sua origem como aventureiro, não precisa dizer que você é um cavaleiro de alta patente, ou um cara que viveu dentro de guerras, entenda, você são de 1º nível, então evitem transformar seu personagem em alguém que ele não é ainda.

O que você pode fazer é apenas um pequeno resumo da sua história, como por exemplo:

“Um jovem humilde da região tal, vilarejo tal que decidiu conhecer o mundo com os próprios olhos.”

Pronto está feito seu Background de origem, a partir dai tudo que acontecer vai somar para sua história.

Obs.: sempre fale com o mestre sobre como será o cenário que vocês jogarão, assim terão ideias melhores para dar continuidade na sua história e também criar uma.

6ª – O Mestre

Essa dica é para aqueles que são mestres ou que pensam em ser.

Para você ser um bom mestre, tem que estudar muito sobre os sistemas e cenários, pois é você quem vai controlar tudo e todos, tirando os jogadores (bem, às vezes). Não adianta você querer mestrar, mas não ler as regras, não ler sobre o cenário que você vai usar, não conhecer sobre as raças, classes, magias, talentos, perícias, enfim, não ler os livros é um erro muito grande para quem quer ser mestre.

Para aqueles que estão começando, não se apressem em criar uma história, um enredo, você precisa primeiro entender seu grupo (seus jogadores) e ver do que eles gostam, o que eles curtem fazer, exemplo:

  • Gostam apenas de combate;
  • Gostam apenas de dialogar;
  • Gostam dos dois, sendo bem equilibrados ou um pouco mais para um ou para outro;
  • Gostam de uma aventura mais longa ou mais curta.

Enfim, muitas coisas e isso precisa ser do conhecimento do mestre, então no início de sua “carreira” pegue leve, aprenda a mestrar e mais no futuro, quando seus jogadores estiverem mais calejados, você cria uma aventura mais robusta e com mais detalhes.

Outra coisa, não seja um mestre babaca, achando que, só porque sabe mais, pode ficar se colocando acima dos outros, lembre-se que os seus jogadores são os protagonistas, e não você. Seja uma pessoa que ajude seus jogadores, mas sem facilitar, sempre trocando experiência.

7ª – Criatividade

Como é bom jogar em uma mesa onde tem um cenário montado, miniaturas a disposição, efeitos especiais, efeitos sonoros e os jogadores de cosplay. Sim, isso é realmente incrível, mas nem todas as mesas, ou melhor, a grande maioria não tem condições de ter todo esse luxo, afinal ter qualquer coisa dessa lista é um tanto caro, mas isso não quer dizer que você não possa providenciar usando sua criatividade e imaginação.

Quando comecei a jogar mal tínhamos um livro, que era de um dos jogadores, e as fichas eram sempre impressas nas escolas ou reutilizadas, apagando o que tinha escrito, era um tempo onde a criatividade e a imaginação eram colocadas em prática.

Hoje em dia está mais fácil em ter o equipamento como livros, fichas, dados e miniaturas a sua disposição, basta apenas ter um celular em mãos e pronto, estão preparados para jogar. Ainda assim quero que vocês levem essa dica com muito carinho, sejam criativos, pois uma mesa que tem tudo nem sempre vai superar uma mesa que não tem nada, mas tem o principal que é a criatividade de explorar tudo ao seu redor, isso vale para o mestre e o jogador, não faz mal se você não tem cenário e miniaturas, o importante é o que você pode criar usando apenas a sua criatividade e imaginação.

8ª – Dificuldades

Um mestre quando faz as aventuras estipula as adversidades e dificuldades ao longo do caminho, mas isso tem que ter um certo equilíbrio, não se pode desde início começar na dificuldade mais alta, afinal você não quer que a sua aventura acabe logo. Equilíbrio é a chave.

9ª – Preparação

Jogar RPG é uma arte, pois além de você ter que estudar, ler muito, ser criativo, trabalhar em equipe, fraternidade e astúcia, também tem que saber se preparar tanto para usar sua diplomacia como se preparar para um combate.

Se preparar é uma das coisas mais importante no RPG, não pode simplesmente sair para uma aventura sem um preparo, como comprar suprimentos, alinhar os equipamentos e o deslocamento, é uma logística muito grande, apesar de ser um jogo.

Quando sai para uma aventura você compra suprimentos para os dias de viagem, assim faz com que evite trabalhos a mais e desgastes — claro que alguns aventureiros preferem providenciar os seus suprimentos da natureza. O preparo de seus equipamentos precisa ser feito para não ter surpresas no caminho, como, por exemplo, uma espada quebrando, um penhasco para escalar sem corda, escudos trincados, armaduras desgastadas, isso tudo faz com que fique ainda mais difícil vencer, por isso que a preparação é importante.

Já pensou encarar um Vampiro, lobisomem, Lich, ou até mesmo um bando de homens lagartos sem se preparar para esses desafios? Não tem como. Então converse com o grupo e veja o que cada um pode fazer para se preparar adequadamente.

10ª – DIVIRTA-SE

A dica mais importante de todas. Sem diversão, nada vai para frente, então se divirta, não importa se vocês não estão jogando corretamente ou seguindo friamente as regras, o importante é se divertir com os amigos e contar histórias entre vocês.

Produções baseadas ou com forte aspecto no RPG de Mesa

Algumas produções cinematográficas foram feitas ao longo dos anos, assim como animações e séries.

  • Senhor dos Anéis e O Hobbit: Duas trilogias que foram bases para o RPG lá atrás com seus livros, mas em 2001 o cinema ganhou também uma adaptação de grande sucesso.

Teremos a série de O Senhor dos Anéis: Anéis do Poder que também é uma boa representação de um RPG de Mesa.

O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder ganha primeiro trailer com visual maravilhoso

  • A animação Caverna do Dragão: Essa foi baseada nos jogos de RPG do D&D (Dungeons & Dragons). Nela vemos alguns personagens tentando voltar para casa, mas para isso precisam lutar contra as forças do mal usando seus poderes.

  • A lenda de Vox Maxhina: Animação lançada pela Amazon Prime Video em parceria com o grupo Critical Rolle, segue a critica a respeito:

Crítica | The Legend of Vox Machina entrega uma das melhores animações no molde de RPG

  • Dungeons & Dragons: Como o nome sugere, em 2000 foi lançado um filme baseado nos jogos, que teve ainda outras duas continuações, em 2005 e 2012. Neles, vemos a história de heróis que tentam lutar contra o mal que condena o mundo. Não são grandes filmes, mas ajuda a ter uma clareza do que é um RPG.

  • Warcraft: O Primeiro Encontro entre dois Mundos: Um filme baseado no game Warcraft, mas que tem muito aspectos do RPG e pode ser um dos melhores exemplos pensando em um mundo mais colorido e fantástico.

Existem muitos outros exemplares, mas esses são os mais famosos dentro do mundo de RPG de Mesa.

Curiosidade

Nos EUA e na Europa, o RPG de mesa é usado em colégios especializados em autismo. Segundo estudos, essa experiência ajuda e muito as crianças autistas a encararem o mundo real e até mesmo na parte social entre elas e outras pessoas.

Em hospitais também é encorajado para crianças que estão no tratamento contra o câncer. Viver aventuras imaginárias as ajudam a se manter firmes e fortes aos tratamentos agressivos e que exijam muito delas.

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