3 de março de 2022

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Análise | O sucesso de Pacificador está na jornada dos desajustados

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A entrada de James Gunn (Guardiões da Galáxia Vol. 1 e 2, de 2014 e 2017) no Universo Estendido da DC (DCEU) surgiu como a promessa de algo diferente e inovador. O voto de confiança deu certo e O Esquadrão Suicida (2021) foi um sucesso de crítica e bilheteria. A obra, escrita e dirigida por Gunn, abriu portas tanto para o artista como para o futuro do DCEU. E essa janela de oportunidades logo se manifestou na estreia da série Pacificador, criada e escrita por Gunn.

Apesar da expectativa positiva para a série, graças ao resultado do filme, o público questionou a necessidade do projeto. E mais: por que escolher este personagem para fazer um spin-off? A resposta é simples: a Warner decidiu confiar piamente na arte de James Gunn. E o que é o Pacificador se não a materialização de um anti-herói gunniano? E assim surgiu o projeto que chegou a sua conclusão já garantindo uma segunda temporada – além de ter sido a série mais assistida no mundo em sua semana de conclusão.

Após sua recuperação dos eventos de Corto Maltese, Christopher Smith, o Pacificador (John Cena), é convocado para uma nova força tarefa vigiada por Amanda Waller (Viola Davis). Desta vez, a missão secreta envolve pessoas poderosas dentro e fora do governo e, de acordo com Clemson Murn (Chukwudi Iwuji), líder da empreitada, definirá a vida de milhões de pessoas na Terra. Além da difícil e misteriosa missão que tem pela frente, o Pacificador precisará aprender a lidar com seus companheiros de equipe: Emilia Harcourt (Jennifer Holland), John Economos (Steve Agee), a novata Leota Adebayo (Danielle Brooks) e o desajustado Vigilante (Freddie Stroma). A convivência com as diferenças dentro da equipe e o perigo iminente farão com que ele reflita sobre suas relações, seus traumas e sua trajetória como herói.

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Jornada dos desajustados

Pacificador traz uma jornada dos desajustados. A partir do humor satírico, James Gunn foi capaz de transformar completamente o personagem interpretado por John Cena (Bumblebee, de 2018, e Velozes & Furiosos 9, de 2020). Detestado no filme, o Pacificador começa sua jornada na série como uma pessoa completamente reacionário, sem escrúpulos e compaixão – apesar dele acreditar que tem. Ao longo dos episódios, o público passa a ver um outro lado de Chris que não se conhecia. As fragilidades e os traumas dele são expostos e, assim, seus colegas de time e o espectador passam a entendê-lo.

A aprendizagem sobre as dores do herói-título faz com que os outros da equipe comecem a se desarmar e se unir como uma equipe. E esse caminho de entenderem a si e aos outros é o ponto principal da narrativa de Pacificador. A amizade dos heróis quebrados e defeituosos é um clássico gunniano e aqui o público vê isso de forma aprofundada e bem trabalhada. Cada episódio traz uma empreitada diferente que vai amadurecer cada uma daquelas figuras desajustadas.

É inevitável torcer pelos planos alucinantes do Vigilante ou contar os minutos para que a Adebayo revele seus segredos e esteja 100% com o resto da equipe. Sem o grupo, o Chris jamais conseguiria enfrentar seus traumas do passado e nem a figura perversa que é August Smith, seu pai. A parceria da equipe é o que o público mais quer ver. O espectador sofre e chora com os personagens. O carisma do roteiro de Gunn é inconfundível e conquistador. E, no fim, Pacificador é uma comédia heróica sobre um grupo improvável de pessoas que se vê obrigado a lidar uns com os outros e acaba formando laços poderosos.

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Qual a próxima missão?

Num ano onde o DCEU promete tanto com seus lançamentos nos cinemas, Pacificador abre essa festa de estreias como um portador de boas notícias. A narrativa seriada abriu os olhos da Warner Bros. e DC Films para as possibilidades do Universo Estendido no formato de séries. Além disso, a produção provou para os críticos e haters da DC que é preciso dar uma chance às produções porque elas claramente podem ser incríveis.

Pacificador, no entanto, também é uma prova de que as escolhas precisam ser mais certeiras e bem pensadas. O sucesso absurdo da série aconteceu porque ela foi encabeçada por James Gunn antes mesmo da ideia sair do papel. A Warner precisa apostar em direções que sejam corajosas, estilísticas e, principalmente, com identidade. Gunn deu a sua cara ao personagem-título da história da mesma forma que fez com O Esquadrão Suicida.

Assim como Gunn, o que Patty Jenkins fez com Mulher Maravilha, James Wan com Aquaman e, recentemente, Matt Reeves com Batman. O futuro do DCEU pode ser brilhante e próspero como foi a primeira temporada de Pacificador, o que falta é correr o risco de investir em algo tão inventivo e original como a produção. E esta é a expectativa para a segunda temporada, que está prevista para 2023 e será totalmente escrita e dirigida por James Gunn. Ou seja, originalidade e o jeito gunniano de ser sem limitações e com boas risadas não vai faltar. Resta saber se a nova abertura da série será ainda mais icônica.

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