4 de maio de 2022

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Crítica | Cavaleiro da Lua diverte, mas sua trama não se sustenta

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Mais uma série da Marvel chega ao fim repetindo os erros de suas antecessoras. Cavaleiro da Lua, que teve seu último episódio exibido hoje (4), consegue ser divertida e emocionante, mas não entrega uma trama tão interessante quanto o personagem poderia suportar. Sendo mais um “filme de seis horas” dividido em episódios, sua trama é confusa, suas cenas de ação amadoras e seus momentos emocionantes são sustentados unicamente pelo carisma do protagonista.

Tudo que você precisa saber sobre o Cavaleiro da Lua, personagem que vai ganhar sua própria série no Disney+

 

Oscar Isaac é o grande merecedor de todos os elogios referentes ao seriado. Sua atuação, digna de enaltecimento, entrega múltiplas personalidades de um mesmo ser de maneira convincente e satisfatória, onde cada uma delas, tanto Marc Spector como Steven Grant, são facilmente distinguidas uma da outra. A qualidade de sua performance fica ainda mais apreciável quando analisamos a complexidade de seu papel, que transita entre identidades com uma alta carga emocional, apresentando desde momentos tensos à alívios cômicos de maneira tão precisa e funcional quanto se fossem feitas por duas pessoas diferentes.

cavaleiro da lua Marc spector e steven grant

A série parece confusa [também] em suas próprias intenções, uma vez que prometeu uma aventura nos moldes de Indiana Jones, juntamente com o fardo de explorar uma nova mitologia, mas não aprofundou nada disso e se limitou a ficar no dilema anti-heroico de um personagem amaldiçoado com a própria benção — aquilo que lhe salvou a vida também o condena. A melhor parte da série é o clima caótico de não saber o que é real ou não, assim como elogiamos em nossas primeiras impressões, mas esse artifício passa a se tornar corriqueiro e os episódios seguintes repetem parte dessa fórmula, perdendo a graça em alguns momentos.

A contextualização do personagem demora a acontecer, mas vem, de forma precisa, contradizer tudo o que pensávamos a respeito de Marc e Steven, dando o background necessário para que passemos a enxergar o Cavaleiro da Lua como um verdadeiro herói, alguém que é tão vítima quanto busca ser altruísta. Os pontos fortes da série começam a se tornar escassos a partir daí, já que seus bons momentos passam a ser algumas cenas engraçadas, que não giram a engrenagem. Por fim, seu roteiro não acompanha o enredo apressado, que peca em se encaminhar para o final pulando algumas etapas e deixando espaço para um maior desenvolvimento da trama, que por vezes fora preenchido por trechos vazios e irrelevantes.

Ethan Hawke como vilão também entrega uma grande caracterização, mas seu personagem é mais um que sofre com a falta de incentivo por parte do roteiro, o que faz com que sua performance seja interessante, mas esquecível. Um fato triste dado o seu potencial, que, caso melhor trabalhado, poderia ser facilmente equiparado a outros vilões da casa das ideias, como Loki ou Killmonger.

A obra também não estabelece nenhuma conexão com o Universo Cinematográfico da Marvel, sem nenhuma participação especial ou referência a quaisquer acontecimentos recentes, o que não pode ser ditado com um ponto baixo, mas ainda assim vai contra a cultura do estúdio que tanto preza por conexões.

Em síntese, Cavaleiro da Lua é uma produção que tinha tudo para arriscar ser diferente, uma vez que seu personagem não é conhecido pelo grande público. Mas acabou misturando seus conceitos e finalizou sentenciando-se a ser um frase em meio à narrativa, onde seu personagem está mais apto para ser coadjuvante do que protagonista. Na verdade, não é tão errado imaginar que sua cena pós créditos só aconteceu para que a Marvel possa reutilizá-lo como participação especial em algum momento, mas é bastante difícil se pensar que retornará para uma 2ª temporada.

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