14 de junho de 2022

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Crítica | Peaky Blinders se despede entregando o que tem de melhor

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Na última sexta-feira (10) chegou à Netflix a 6ª e última temporada de Peaky Blinders, que conseguiu entregar um verdadeiro show de atuação, momentos tensos e arcos ainda mais sombrios e autocontidos. É possível dizer, até mesmo, que o encerramento da série pode ser descrito por uma única palavra: legado.

Uma das principais preocupações dos fãs da obra era sobre como seria retratada a morte precoce da atriz Helen McCrory, que deu vida a personagem Elizabeth “Polly” Gray, que vinha ganhando destaque na narrativa como um fator importante principalmente para o protagonista Tommy Shelby (Cillian Murphy). Logo no primeiro episódio já ganhamos um contexto que conseguiu não só fazer sentido para o enredo como também prestar uma homenagem e transmitir, respeitosamente, a dor pela perda da atriz.

Podemos imaginar o quão afetada a série foi pelo que vimos no resultado final, com uma parte importante da história sendo regida pela morte de sua personagem. Michael Gray (Finn Cole), filho de Polly, se colocou no lado oposto à sua família, jurando vingança contra Tommy, e essa foi uma das partes menos chamativas da temporada — quiçá de toda a série —, visto que Michael não conseguiu se provar como um antagonista páreo ao seu primo.

Todo o elenco demonstrou estar bastante confortável com seus personagens e foi aqui que a série brilhou de verdade. Cillian Murphy provou ser o único ator imaginável a dar vida a Tommy, assim como também notamos esse mesmo comprometimento por parte de Paul Anderson, que deu vida a Arthur Shelby, um personagem profundo e cheio de camadas. (A cena em que Arthur fica sabendo que Tommy estava morrendo é uma das mais impactantes de todo o show).

Peaky Blinders foi criada e escrita por Steven Knight de maneira brilhante, encaixando todos os eventos históricos reais dentro de uma narrativa fictícia, se equilibrando, mas não se limitando, a conduzir seu desfecho de forma coesa e o mais interessante possível. Porém, forma como o roteiro faz o enredo da série correr pode parecer um pouco estranho aos olhos de quem está familiarizado com uma narrativa mais redonda e explicativa. Aqui, por vezes vemos a história seguir sem a preocupação de entregar todo o contexto, deixando algumas lacunas para serem preenchidas pelo imaginário do espectador. Os mais desatentos podem deixar algo passar despercebido nas entrelinhas de um episódio para o outro.

E um desses detalhes que pode ter escapado foi a humanização do protagonista, Thomas Shelby, que apareceu na primeira temporada como um homem que teve todas as suas emoções estagnadas por suas dores, totalmente sem sentimentos e racional acima de tudo. O nosso “frio e calculista” favorito se mostrou deveras humano em vários momentos ao longo de Peaky Blinders, mas, na 6ª temporada em especial, os momentos que remetiam à sua origem cigana explanaram isso de forma sublime: racional com os negócios, supersticioso com sua família. O arco de Tommy em busca de respostas do misticismo cigano, apesar de parecer um desvio narrativo, foi bastante importante para entendermos mais da natureza desse personagem tão complexo.

No fim, a última temporada foi sobre fazer o que for preciso para alcançar um objetivo, assim como foi dito pelo protagonista repetidas vezes: “eu não tenho limitações”. Podemos encarar o 6º ano como uma metáfora à experiência de Tommy na Primeira Guerra, onde ele era um escavador de túneis: sujo, sempre com expectativas de que fosse chegar ao outro lado, ao fim da linha, mas sempre havia um novo túnel a ser feito.

Apesar de a série ter chegado ao fim, a sua história ainda terá uma continuidade, pois um filme com o derradeiro final já foi anunciado e deve ser lançado apenas em 2024. Podemos perceber que algumas pendências ficaram mal resolvidas, que devem ser exploradas no longa-metragem. Mas, de todo modo, Peaky Blinders já entrou para o hall das grandes séries de TV.

Todas as seis temporadas de Peaky Blinders estão disponíveis na Netflix.

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