20 de julho de 2022

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Crítica | Persuasão é a nova adaptação de época de Jane Austen na Netflix

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Persuasão é um filme sublime, recém lançado na Netflix e que traz Dakota Johnson no papel principal.

Não precisa muito para reconhecer o tom, traços e narrativa clássica de Jane Austen por toda a história, que de fato trata-se de uma adaptação de mais um sucesso da escritora. Considerada uma das escritores inglesas mais importantes de todos os tempos, suas obras cativam público que devoram seus livros e se apaixonam por seu elenco quando ganham vida nas telas, como nos filmes Orgulho e Preconceito (2005) e Razão e Sensibilidade (1995). Com Persuasão não é diferente.

A história acompanha Anne Eliott (Dakota), uma jovem brilhante, mas melancólica, em sua busca pelo seu lugar no mundo. Desiludida do amor, ela passa seus dias entre poemas, vinho e fofocas em meio a uma família problemática e interesseira. Quando seu pai declara falência, Anne logo descobre que o seu antigo amor o capitão Wentworth (Cosmo Jarvis), quem a jovem foi persuadida oito anos antes de não se casar, por ele ser pobre, esta de volta a região, dessa vez bem sucedido.

Diferente dos outros filmes baseados nas obras de Austen, Persuasão é mais perspicaz, um tanto engraçado e cheio de vigor, ao trazer Anne confabulando com quem assiste em diversos momentos do longa, como se estivesse pensando em voz alta. Isso torna a história ainda mais interessante de se acompanhar. E o roteiro incerto, que se desdobra diversas vezes em novas possibilidades e futuros — algo característico desses romances de época, elevam ainda mais o fascínio que a narrativa provoca.

Um dos momentos de Anne confabulando com o telespectador

Em meio as incertezas do coração da jovem quanto ao capitão, ela também conhece um parente distante, Senhor William Elliott (Henry Golding), que faz Anne questionar ainda mais seus sentimentos por Wentworth. O ator não faz muito além disso – “aparecer” no longa em momentos pontuais, mas a impressão que fica é de desperdício de talento e oportunidade na narrativa.

O problema poderia terminar ai, mas a maneira como o enredo lida com essas dúvidas amorosas, causam momentos  confusos também para quem assiste, abraçando um pouco de enrolação que afeta a fluidez do longa. E esse problema é levado do meio ao fim da produção, que até ali estava caminhando bem, e chega ao fim de forma típica e clichê, com Anne correndo atrás de seu amado, mas não antes de encontrar William aos beijos com outra, o que para ela acaba sendo um alívio e um facilitador de sua decisão de correr atrás de seu amado.

O fim do longa mesmo clichê não é ruim, nem monótono, pois repete a fórmula romântica muito usada por Austen em seus romances, mas o maior problema dessa tão esperada produção, foi a parte central, o meio da narrativa, que soou embolada e acelerado, destoando de como a história foi inicialmente contada.

Nota 07.

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