26 de março de 2022

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Oscar 2022: Descubra como Jane Campion se tornou a favorita a Melhor Direção

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Oscar 2022 - Melhor Direção

Criar um produto audiovisual dá trabalho. Não é um resultado o qual se chega sozinho, mas através de um conjunto de esforços. Durante o processo, no entanto, existe uma pessoa encarregada de orquestrar o andar da carruagem e é desta pessoa que tanto se fala nas temporadas de premiações. O lugar da direção cinematográfica vai além do status, do tipo de filme que se faz ou do ser ou não autoral em suas obras. O ofício, principalmente, se encarrega de entregar uma ideia.

Nos indicados ao Oscar de “Melhor Direção” de 2022 é possível entender esse emaranhado de funções que a direção comporta. Os nomes aqui reunidos brilham porque eles representam mais do que suas carreiras ou sua marca de cinema “X” ou “Y”. Jane Campion, Ryûsuke Hamaguchi, Kenneth Branagh, Steven Spielberg e Paul Thomas Anderson fizeram trabalhos que saltam aos olhos por haver uma coordenação entre narrativa, técnica e proximidade ao público. Até mesmo trabalhos como o de Spielberg e Anderson, que têm deslizes em suas histórias, chegam a um resultado glorificado apesar das imperfeições.

Dentre os cinco indicados temos um faroeste modernizado, um drama reflexivo, uma comédia juvenil, a releitura de um musical clássico e lembranças intimistas dramatizadas. Essas são as trajetórias distintas que trouxeram essas cinco pessoas ao prêmio mais importante do cinema. E a chegada do Academy Awards traz consigo a dúvida se realmente já sabemos qual é o nome da(o) campeã(o). Ao que tudo indica, a brilhante Jane Campion levará para casa a estatueta na noite deste domingo (27).

A favorita da categoria é a diretora e roteirista neozelandesa, que trouxe para o mundo o maior filme de 2021, Ataque dos Cães. Na maioria das premiações tanto Jane como seu longa tem sido unânimes como os queridinhos da temporada. A diretora é uma das oito mulheres a receberem indicações na categoria do Oscar e esta é sua segunda indicação a “Melhor Direção”. Na edição de 1994, Jane concorreu por seu trabalho em O Piano (1993), se tornando a segunda mulher na história do Oscar a receber uma indicação por seu trabalho como diretora. Este ano ela pode começar um novo capítulo dessa história, se tornando a terceira mulher a vencer o prêmio.

Para além do que Jane representa na indústria, seu trabalho mais uma vez se provou fora de série. A diretora neozelandesa orquestrou essa ode a um dos subgêneros mais primários da história do cinema ao mesmo tempo que o evoluiu. Ela conseguiu construir esse faroeste moderno com identidade e maestria. Ataque dos Cães é um dos resultados mais deslumbrantes da temporada e isso é indiscutivelmente graças ao trabalho da diretora.

Oscar 2022 - Melhor Direção

O segundo nome mais potente na disputa é de Ryûsuke Hamaguchi. O diretor japonês foi o responsável por Drive My Car. A sensibilidade e o cuidado de Hamaguchi ao conduzir o poderoso drama sobre traumas tornou o longa um expoente no cinema. Não é à toa que o filme tem ganhado as principais premiações como “Melhor Filme Internacional”. Apesar da extraordinária capacidade e qualidade de comando mostrada na produção, o artista japonês ainda se encontra em segundo plano, quando comparado com Jane Campion.

Os outros três indicados são diretores de renome, mas que, neste ano, não entregaram o seu melhor trabalho. Kenneth Branagh, Steven Spielberg e Paul Thomas Anderson deram o seu melhor e conseguiram entregar qualidade na maior parte de suas respectivas produções, mas cada um deles falhou em lapidar alguma parte de seus filmes. Deles, talvez Kenneth tenha sido o mais feliz com o resultado final. Sua viagem intimista por um passado um tanto autobiográfico, ainda que não consiga criar tanta conexão com o público, é um filme bem feito e sem erros. Afinal, Belfast é a cara do Oscar.

Já Spielberg deixou sua relação pessoal com a obra original afetar seu julgamento como produtor. É evidente que o trabalho principal do diretor foi de atualizar os absurdos e preconceitos presentes na versão de 1961, mas sua renovação praticamente parou por aí. Claro que a versão de Amor, Sublime Amor de Steven tem uma direção específica e uma condução narrativa com mais fluidez, mas não vai além disso. Por isso, ao final da sessão, não há nada de memorável nesta reinterpretação do musical clássico.

Paul é o que está numa narrativa mais complicada. A execução do longa é exímia, mas quando se pensa no foco principal da história, a coisa complica. Parece haver um descaso com certas escolhas na história. Para além dos momentos bizarros e aleatórios da produção, ainda existe um retrato discursivo retrógrado e problemático para os dias atuais. Ou seja, mesmo com uma qualidade técnica invejável, Licorice Pizza e os outros dois longas não são capazes de chegar com o mesmo fôlego que Ataque dos Cães e Drive My Car, afastando Kenneth, Spielberg e Anderson da possibilidade de ganhar.

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