28 de julho de 2022

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Crítica | Jurassic World: Acampamento Jurássico traz nostalgia e inovação para a franquia

14 min read

Chegou ao fim a 5ª e última temporada de Jurassic World: Acampamento Jurássico, que teve um final belíssimo, mas que ficou com um gostinho de quero mais. A série produzida pela Netflix conseguiu entregar algo nostálgico e inovador ao mesmo tempo, já que a história é totalmente nova em volta de uma franquia que perdurar por muitos anos, mas que nunca teve um spin-off em suas tramas.

A série contêm 5 temporadas com um total de 49 episódios, com 20 minutos em média cada.

A Trama

Como todos bem sabem, a história é um derivado de Jurassic World, e tem como objetivo entregar algo a mais dos acontecimentos daquele desastre que foi no parque durante a visitação de milhares de pessoas. Entretanto, ao invés de focar nos protagonistas do filme, a série tem algumas jovens crianças que acabaram tendo a sorte de participar do primeiro acampamento jurássico. Resumindo bem o que houve, tudo estava indo bem até que aconteceu a fuga da Indomino-Rex, que acabou destruindo tudo e matando muita gente, e os jovens acabaram ficando preso na ilha de Nublar, por longos meses e se não me engano, pelo menos um ano, porém isso nunca ficou claro na produção.

Durante esse período eles tiveram que sobreviver aos dinossauros, aprender a viver em grupo, aceitar a situação de não serem mais resgatados, além de alta fadiga, estresse emocional, desconfiança de tudo e principalmente a falta de esperança que se esvaia a cada oportunidade de sair da ilha. Mas, o lado positivo foi que eles acabaram tendo muito tempo para se conhecerem e criar uma família, que acabou mostrando a perseverança entre pessoas diferentes em meio a diversidades, sendo elas, pessoais, ou de conhecimento sobre certas funções dentro do grupo.

O mais marcante dessa série é a evolução dos personagens, cada um ao seu estilo e proporção. Alguns não foram tão marcantes como outros nesse quesito, mas todos tiveram uma certa parcela de aprendizado e compreensão humana. Agora, após todo esse tempo, vemos o resultado dessa grande evolução deles, dando um fim interessante e emocionante para cada um deles, e o mais incrível, se tornando celebridades de forma coerente e positiva dentro desse universo. Mas sobre esse ponto final, falaremos mais a frente.

Evolução da Série e dos Personagens

Apesar da série se tornar um êxito dentro da plataforma, os filmes acabaram dando muito murro em ponto de faca, deixando os fãs desapontados com o que viram, assim, qualquer outra produção com esse rótula acaba pegando a fama de seu irmão maior, de ruim. Porém, estou aqui para desmentir isso de certa forma, pois a série animada produzida pela Netflix, acaba trazendo a essência do que queremos ver em dinossauros, trazendo a beleza das manadas de Parassaurolofos, até os rugidos e os baterem de dentes de um T-rex. Além disso claro, as novas espécies apresentadas, que acaba enriquecendo ainda mais todo esse universo.

A Principal evolução da série se cabe a essa introdução de novas espécies e da forma que as coisas fluem com o passar da trama, deixando evidente e explicito, o esforço para trazer novidades sem deixar cair na mesmice. Um desses pontos que ficou muito marcado ao longo de toda a produção, é a tentativa de controlar essas feras gigantes, algo que de certa forma já é conhecida pelo público por conta dos filmes, mas que na série ela acaba entregando algo a mais, exemplo, os chips de controle, que são implantados no dinossauro para obedecer todas as ordens de seu controlador, e o mais interessante, é que eles trouxeram isso para uma visão mais jovem e moderna, onde os comandos vem de um joystick (controle de videogame), conseguindo fazer quaisquer comandos para que os dinossauros façam sem pestanejar. Entretanto, a ideia inicial era apenas de colocar eles dentro de um cercado invisível, e deixar eles brigarem até a morte, mas acabou evoluindo para essa tecnologia ainda mais imponente. Imagine só, você ter um dinossauro de verdade como seu pet, com total segurança ao seu lado na cama, ou no seu jardim? Incrível não é?!

Fora também, a forma de comunicação entre humanos e dinossauros. A Dra. Mei, acaba criando um sistema de voz, onde ela consegue captar quaisquer ruídos e transformar em situações emocionais do que eles estão dizendo, por exemplo, assim como os cientistas fazem com as baleias, sabendo o que cada uma está dizendo conforme os sons que elas emitem. Claro que, isso é algo embasado em estudos de longos anos, e não é algo tirado da noite para o dia.

Agora falando um pouco sobre os personagens, que são assim como os dinossauros, os grandes destaques dessa história. Ao longo da série, cada um teve seu calvário para seguir e vencer, então é natural vermos eles começando de uma forma e terminando diferentes, mas o que fica evidente são as emoções e os perfis de cada um.

Darius Bowman

Um nerd quando se trata de dinossauros, era um jovem que sempre era zoado por seu conhecimento e empolgação excessiva quando se tratava das feras. Seu maior objetivo era tentar conhecer o maior número possível deles. Com o passar da trama, ele teve muitas dificuldades de fazer seu grupo entender como deveriam agir em frente aos perigos que a ilha trazia com sigo, mostrando sua incapacidade de trazer informações mais claras e diretas para o grupo. Entretanto, acabou se mostrando um líder e convencendo todos que a melhor maneira de sobreviverem era serem  discretos e não se apavorarem por tudo que aparecia na frente, além de claro, se comunicar de forma mais breve e assertiva com eles, facilitando e muito a comunicação e convivência entre todos.

Ele foi um dos pilares do grupo, mostrando seu lado nerd como uma ponta de apoio em meio as necessidades contra os dinossauros, mas também o lado emocional forte, colocando sempre as diferenças de lado e presando sempre pela boa vivência do grupo, mesmo que para isso era engolir seu orgulho, ou deixar de fazer algo certo.

Ele também acabou se tornando um especialista em dinossauros, até óbvio se parar para pensar, mas o deu a oportunidade de entender e se comunicar de forma diferente com todos, vendo como grupos de dinossauros agiam, ele usava como uma ideia para o seu próprio bando. Após serem resgatados, ele começou a dar palestras ao redor do país para poder transferir todo o seu conhecimento e não deixar mais que erros passados voltassem acontecer.

Brooklinn

A menina famosinha da internet, que se acha a rainha do mundo por conta dos milhares de seguidores em suas redes sociais, além de sempre jogar na cara que é tão popular quanto qualquer outra celebridade, e suas amizades com seus seguidores, foram sempre puras e leais, mas quando se viu em situação de desconforto, saindo da sua zona, acabou vendo que aqueles milhares de pessoas, não estavam nem ai para ela. Porém, por trás de toda aquela pompa, existia uma garota curiosa e especialista em diversas mecânicas motoras do dia a dia, como exemplo, trocar fuzis, rachear, montar acampamentos e entre outros deveres práticos. O problema é que ela era muito dona do nariz dela, e gostava de controlar tudo ao seu redor, não dando oportunidade para outros exercerem seus talentos e qualidades. Após ela ver que ela era apenas uma blogueira e não alguém altamente social, ela percebeu que as coisa precisavam mudar, principalmente a forma que lidava com as pessoas, afinal, por trás de uma tela é fácil, agora encarar olho no olho, já é algo bem diferente.

Ela acabou se tornando um pilar assim como Darius, mas com os toques femininos que todo grupo precisa, onde a inteligência e sagacidade são muito importante. Além de claro, saber medir os momentos de tensão do grupo, mostrando que toda a grande família precisa daquela pessoas sincera e direta para colocar todos em seus devidos lugares de maneira justa e coerente. Em muitos momentos, foi ela que teve que tomar as rédeas da situação para conseguir tirar todos de uma situação grave, ou até mesmo, obter informações de forma mais discreta, assumindo sempre a posição de segunda em comando.

Acabou se apaixonando por um dos membros do grupo, Kenji Kon, que tiveram sempre teve momentos altos e baixos durante toda a trama. No final, após ser resgatada, ela acabou voltando para seu programa na internet, mas em segredo, assim como em toda a série, ficou rastreando possíveis envolvimentos do mercado negro de tráfico de dinossauros.

Kenji Kon

O riquinho e mimado da turma, um cara babaca e sem noção, que praticava bullying com todos ali, e sempre reclamava, exaltando sua vida luxuosa com seu pai. Esse talvez tenha sido o personagem que mais teve mudanças dentro da série, saindo de uma filhinho de papai, para um amigo leal e destemido, ajudando em tudo que fosse possível. Claro que o começo foi tenso, sempre se mostrando arrogante e colocando todos em perigo por isso, mas que com o passar do tempo, as coisas mudaram muito. Seu maio destaque era o conhecimento do complexo da Ilha Nublar, já que vinha todas as férias de verão para ilha ficar com o seu pai, pelo menos tentava ficar com ele.

Ao longo da série vimos um rapaz que tinha como seu herói seu pai, mas que convivia muito pouco com ele, deixando passar diversos momentos incríveis para poder ficar trabalhando em seus negócios altamente secretos. Detalhe importante sobre ele, é que ao passar do tempo, os luxos que ele se vangloriava começaram a diminuir, e um ser humano melhor foi nascendo, deixando de lado as brincadeiras maldosas e até mesmo o habito de colocar todos em perigo. Sua amizade mais pura foi com o Darius, que o via como um irmão, e não mais como um garoto nerd para ser zoado.

Nessa última temporada, sua lealdade com os amigos foi posta a prova, e por um breve momento ele acabou os traindo, sendo leal ao seu pai, o grande vilão por trás de tudo, mas que para Kenji, era o herói. Nesse momento a série conseguiu mostrar muito bem o quão difícil é para um filho, ter a aprovação de uma pai, ainda mais um homem que troca tudo para não ter seu nome jogado na lama, a reputação é a mais importante para o pai de Kenji. Foi muito difícil para o jovem no final, mostrar que seu pai era o vilão e que ficaria com sua verdadeira família, Darius e cia.

No fim, seu pai foi preso e ele assumiu os negócios, porém foi morar com a família de Darius e de lá tocou suas empresas e principalmente tocou as despesas da Ilha Kon, onde ficavam alguns dinossauros que estavam aos cuidados de sua empresa e uma equipe especial.

Ben Pincus

E falando de equipe especial, temos um dos personagens que mais teve mudanças relativamente grandes durante as primeiras temporadas. Ben Pincus era um garoto que tinha germofobia, ou seja, medo de micro-bactérias, no popular, germes. O detalhe era que ele foi para o lugar que mais tinha esse tipo de problema, um acampamento em meio a selva, e pior, em meio a diversos dinossauros cheios de bactérias únicas.

No início ele era um personagem medroso, catarrento e de muito chato, sempre andando com o seu kit gel (esse mesmo que usamos durante a pandemia), e não importava para onde ia, ele saia com sua pochete amarrotada de produtos e remédios contra quaisquer eventuais problemas com germes. Mas, após uma queda do monotrilho, e quando todos pensavam que ele estava morto, ele reapareceu totalmente mudado, já que teve que enfrentar o frio, calor, mosquitos, dinossauros, fome e outras situações que aquele “paraíso” tinha a propor, ele acabou mudando de um garoto todo limpinho e protegido, para um home das cavernas.

Ben, acabou fazendo amizade com um Anquilossauro chamada de Bolota, e com ela ele mostrou que poderia ser algo a mais, porém, ainda havia um problema, sua socialização ainda era algo para se restabelecer, pois seu ego como garoto da floresta tinha aflorado depois de tudo que ele passou, deixando claro para o grupo que na realidade apenas sua aparência e seu jeito de indefeso tinha mudado, mas sua imparcialidade com os outros membros, ainda era evidente. Então, ele teve que trabalhar esse lado, mostrando que poderia ser mais do que aquilo que eles viam, lutando, ajudando e sendo prestativo para com todos ali em volta.

No final, ele acabou indo para Ilha Kon, ajudar a Dra. Mei a cuidar dos dinossauros e da sua velha amiga Bolota, e ter certeza que tudo está indo bem, dando a entender que pessoas que tem problemas de fobia podem sim mudar e melhorar, ou melhor, se curar, podendo ser quem ela quiser sem ter medo de nada, e não deixando de aproveitar a vida. Claro que, sabemos que isso não é algo fácil de se fazer, e a série mostrou de forma mais agressiva para a mudança de comportamento do personagem, mesmo assim, é uma forma de encarar seus medos para poder viver a vida mais livre, leve e solto.

Yaz Fadoula, ou Yazmina

Yaz é a atleta do grupo, porém nada social, sempre sozinha e competindo para ser a melhor, ela acaba mostrando o desprezo por seu colegas de acampamento, por não terem uma vida regrada. No começo ela evitava se aproximar de mais, para não criar vínculos, mas não deixava de ajudar quando preciso, porém, após machucar seu tornozelo, ela encontrou em Sammy, uma amiga leal e de um coração imenso, mostrando que ela podia se abrir se assim fosse preciso.

Com o passar da trama, vimos uma garota mais espontânea e determinada a fazer amizade com todos do grupo, claro que, sempre deixando claro seu lado mais sério e de menos sensibilidade. Um dos pontos que ficou claro, é que ela era uma garota normal, mas sua sexualidade era algo que ficava nos comentários do público, sempre alterando entre homossexual, ou heterossexual, algo que acabou sendo respondida na última temporada, quando se declarou para Sammy, dizendo que a amava não como amiga apenas, mas sim algo a mais, algo que soou de forma positiva, normal e orgânica, sem forçar a barra.

No final, ela acabou se tornando muito social com todos, e entregou seu coração a Sammy, e quando voltou para o continente, voltou a treinar e se tornar uma atleta, e nas férias ia para a fazendo no Texas da família de sua namorada, para curtir ao lado dela e ter uma vida mais tranquila.

Sammy Gutierrez

Sammy era a menininha da turma, sempre com um coração enorme, e sempre tentando fazer amizades, mesmo as vezes forçando a barra, mas com boas intenções. Ela sempre foi a mais emotiva e bobinha do grupo, mostrando que um coração puro de uma garota pode sim convencer todos a serem melhores. Porém, esse coração não era assim tão puro, no inicio ela foi enviada para conseguir trazer arquivos e produtos exclusivos do parque em segredo, para poder salvar sua família da falência total. Quando o grupo descobriu, acabaram a julgando, mas com o tempo entenderam que ela não faria isso por mal, apenas para salvar a família, algo que ficou muito claro ao longo de toda a série.

Por ser o coração do grupo, Sammy sempre teve o pensamento positivo sobre tudo, e sempre lutou contra quaisquer problemas que viam a ocorrer dentro do grupo, mostrando que brigas e ofensas não ajudariam a melhorar a situação, apenas a verdade e a sinceridade. Assim, ela se tornou um elo poderoso entre eles, colocando sempre o tom de pacificação em meio a eles e por fim, acabou criando uma amizade além do esperado com Yazmina, criando um fruto de paixão e amor entre elas.

Quando voltaram para o continente, ela voltou para sua família, e lá, ela ajudou Kenji a manter os dinossauros bem alimentados, fazendo com que a fazendo se tornasse total suporte para a Ilha Kon, além de claro, ensinar a vida no Texas para Yazmina quando elas ficavam juntas.

O que a série nos deixou de ensinamentos?

Pode até ser clichê, mas em tempos que estamos vivendo, com a pandemia, com a politica interna e externa do mundo, com guerras, fome e muitas outras situações graves que vimos ao redor do nosso globo, a série acabou nos mostrando que a perseverança entre pessoas totalmente diferentes e sem conexão, podem se ajudar e criar um vínculo forte como um a família, além de mostrar que a socialização entre as pessoas é algo muito importante, não podendo nos esconder das dificuldades dos outros e nem das nossas por puro caprichos. As diversidades que enfrentamos no nosso dia a dia, é algo que sempre teremos, mas como lidar com elas é que realmente faz a diferença.

Na série, os jovens tiveram que enfrentar situações de vida e morte, e claro, ali a situação de certa forma é fictícia, mas mesmo assim, todos os dias devemos enfrentar dinossauros cheios de dentes querendo nos abocanhar em nossos trabalhos, em meio a nossas famílias, e até mesmo dentro de nossas casas, sendo eles boletos para pagar, ou doenças que surgem na pior hora possível, a questão para isso é, como podemos lutar contra essas situações? E a resposta por mais genérica e simples possa ser, é vivendo um dia de cada vez, sem desistir da vida.

Conclusão

A série conseguiu entregar ótimas temporadas, com uma ótima arte, um ótimo desenvolvimento, ótimos personagens, ótimas dinâmicas sociais, ou seja, foi tudo muito bem aproveitado. Mas, nem tudo é perfeito, e isso é bom de certa forma, afinal, se fosse 100% perfeito, não teria graça.

Alguns personagens por fora acabaram sendo muito mal aproveitados, ou parecia que foram jogados, como se tivessem caídos de paraquedas, acabando não dando um bom gancho para trama, porém, assim como entraram, saíram, acabando caindo no esquecimento do pessoal.

Outro detalhe que talvez ficou evidente, foi as voltas que a trama deu em certo momentos, como por exemplo, a questão de que a qualquer momento iriam sair da ilha, mas tinham que voltar até certo ponto para poder liberar a saída, ai voltava novamente, chegava lá, descobriam que tinha mais coisas a ser feita, meio que se tornando maçante e não dando uma continuidade mais plausível, lembrando muito a animação dos anos 80 Caverna do Dragão, um clássico da infância de muita gente, onde vemos jovens correndo para cima e para baixo, para poder voltar ao seu mundo, mas sempre no final do episódio, tinha algo que os impediam de ir, e na maioria das vezes era algo besta.

Fora isso, a série entregou um final ótimo, dando um ponto final com grande estilo, porém, dando margem para futuras produções, e isso acabou ficando evidente, já que tivemos o último filme Jurassic Wolrd: Dominion, e a série terminou nesse ponto praticamente, ou seja, quem sabe não teremos uma produção no futuro.

Nota: 9,5

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